Missa com a participação dos Leigos
Missionários Xaverianos, Liturgia e Cantos (em Italiano em homenagem ao casal
Alessandro e Alessandra Andreoli e aos sacerdotes xaverianos italianos que
estão em nossa paróquia há 50 anos e no dialeto africano swahili, lembrando o
continente africano, foco principal da nossa ação missionária) em 05.08.2012,
com Maria Luisa Sozzi (amiga dos xaverianos - Itália) e os Leigos...
Camarões é um país
africano, limitado a oeste e a norte pela Nigéria, a leste pelo Chade e pela
República Centro-Africana, a sul pelo Congo, pelo Gabão e por Rio Muni (Guiné
Equatorial) e a oeste pelo Golfo da Guiné, através do qual faz fronteira com a
Guiné Equatorial, via a ilha de Bioko. A capital é Yaoundé.
Os navegadores portugueses
- notadamente Fernão do Pó - chegaram à costa dos Camarões em 1472. Notaram a
abundância de camarões (Lepidophthalmus turneranus) nos mangues do rio Wouri e
o denominaram Rio dos Camarões, de onde deriva o nome actual do país.
Apesar da chegada dos
portugueses à costa dos Camarões no século XV, a malária impediu os europeus de
se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao fim da década de
1870, quando grandes quantidades de quinino se tornaram disponíveis. No início,
os europeus estavam sobretudo interessados em comerciar, o que faziam na zona
costeira, e adquirir escravos. O comércio de escravos foi reprimido a meio do
século XIX, ainda na parte final desse século instalaram-se nos Camarões
missões cristãs, as quais continuam a desempenhar um papel na vida do país.
No dia 5 de julho de 1884
a totalidade do território camaronês e alguns territórios vizinhos tornaram-se
a colónia alemã de Kamerun, com a capital situada primeiramente em Buéa e
depois em Yaoundé. Após o final da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido e a
França dividiram essa colônia, cabendo à França a maior área, sendo as zonas
mais distantes transferidas para o domínio de outras colônias francesas, e
governando o restante a partir de Yaoundé.
Os Camarões franceses
alcançaram a independência em 1960 sob a denominação de República dos Camarões,
no território conhecido como Camarões do Norte e Camarões do Sul. No ano seguinte,
a maioria muçulmana do norte, que dominava dois terços dos Camarões britânicos,
votou pela adesão à Nigéria, enquanto que no sul a maioria cristã, votou de
forma que o outro terço dos Camarões britânicos aderisse à República dos
Camarões, formando a República Federal dos Camarões. Permanece no entanto em
aberto o conflito da Ambazónia (Camarões do Sul).
MISSÃO XAVERIANA NOS
CAMARÕES-CHADE
Adriano Cunha Lima, sx
Queridos
irmãos e irmãs é com alegria que partilho com vocês um pouquinho da vida dos
xaverianos nestas terras africanas. Fazem somente três anos que estou na
capital dos Camarões, Yaoundé, e durante dois meses tive a grande oportunidade de conhecer o
Chade. Assim sendo eu lhes preparo para uma partilha pessoal, resultado das
minhas experiências. Um outro teria a liberdade de ver uma ou outra coisa
diferentemente.
Às
vezes pensamos que África é um país. Ora, a África é um continente como a
América. E os Camarões é diferente do Chade como o Brasil é diferente do
Paraguai. Neste grande e diverso continente africano os xaverianos estão em 6
países : Congo (RDC), Burundi, Serra Leoa, Moçambique, Camarões et Chade. Se
os xaverianos no Brasil dividiram a missão em duas regiões, nós aqui juntamos
dois países para formar uma única região : os Camarões e o Chade (aqui diríamos
le Cameroun et le Tchad). Falar destes dois países tão diferentes em poucas linhas
me parece difícil. Prefiro então, deixar o Chade para uma proxima vez.
Os
Camarões tem uma população de 19, 4 milhões e uma superfície de 475 440 Km2
(para imaginar, nós podemos pensar no Estado de Minas Gerais, tanto
quanto ao tamanho que quanto à população). Este país conta com 260 grupos
étnicos, cada um com sua língua própria. Esta variedade da população acompanha
a grande diversidade natural deste país que lhe dá o direito de ser conhecido
como a « África em miniatura ». O francês e o inglês são as duas
línguas oficiais. No dia 1° de janeiro de 2010 nós celebramos 50 anos de sua
independência da França. O presidente atual é Paul Biya, cargo que ele ocupa
depois de 1982. A democracia me parece extremamente frágil. Os cristãos formam
mais de 50% da população, os mulçumanos 24,8%, o restante esta ligado às
religiões tradicionais. A esperança média de vida é de 51, 7 anos.
Os
xaverianos chegaram nos Camarões em 1986. Hoje em dia estamos presentes em 6
comunidades em 4 cidades diferentes. Uma paróquia e a comunidade de filosofia
em Bafoussam ; uma paróquia e um centro missionário na cidade de Douala
(capital econômica do país) ; uma paróquia e um centro cultural em Yagoua
(extremo norte do país) ; e uma paróquia e nossa comunidade de teologia na
periferia de Yaoundé (capital do país). Todas as nossas missões estão em zonas
onde se fala o francês. É aqui em Yaoundé também a sede da revista do Centro de
Estudos Africanos (Centre d’Études Africaines) que começa a produzir seus
primeiros números.
Nossos
trabalhos nestas comunidades são diferentes de acordo com o meio e as
orientações das dioceses. Um grande ponto em comum das nossas paróquias é a
existência das comunidades eclesiais de base, chamadas aqui de comunidades
eclesiais vivantes. Em Douala a animação missionaria começa a dar frutos. O
primeiro é a existência de um grupo de amigos dos missionários xaverianos que
já caminha bem. Em Yaoundé um outro « GAMIX » parece querer surgir. Desta
terra ja partiram missionários xaverianos para o mundo : Colômbia, México,
Itália, Filipinas, Burundi, Chade e aqui mesmo nos Camarões. Sem falar que no
próximo ano escolar nós teremos representantes dos Camarões nas nossas quatro
teologias internacionais. Mesmo querendo deixar o Chade para uma próxima
vez é importante dizer que o primeiro xaveriano chadiano estará à partir de
outubro deste ano começando o ultimo ano dos estudos de teologia aqui em
Yaoundé. Que Deus lhe dê perseverança !
A
minha grande alegria em estar aqui foi a possibilidade de conhecer tanta gente
boa. É bonito descobrir que temos irmãos tão distantes da gente e que formam
uma só família ao lado do Pai. Encontrei um povo ativo na vida da Igreja, que
gosta de se formar. Descobri que a África que imaginamos no Brasil não
corresponde nem à 10% daquilo que vemos aqui. E aquelas imagens feias que vemos
na televisão se contrastam com o sorriso de um povo que gosta da vida. Os
jovens são muito disciplinados para os estudos. Existe uma grande variedade na
comida e graças à boa acolhida das família eu pude provar uma grande parte. Se
de um lado as cores e os tambores nos fazem ver a África tradicional ainda presente,
os celulares, gravatas e computadores nos mostram sua proximidade com o mundo
globalizado.
Não
quero dizer com isso que a vida seja fácil. Este país tem problemas sérios à
resolver. Uma grande melhora no sistema de saúde seria necessário. Aqui tudo se
paga, resultado… nem todos tem o verdadeiro direito à saúde. As condições de
saneamento não são das melhores. Água e eletricidade faltam sempre e são caras…
Coisas que muitos brasileiros conhecem perfeitamente. Talvez o grande problema
é a falta de vontade política que abre um grande espaço para a corrupção que se
estende à todos os setores da sociedade. Penso ainda mais nos jovens que, como
os nossos do Brasil, procuram intensamente uma vida melhor. Muitos aqui com
mestrados e doutorados estão nas filas de emprego.
Estes
problemas não são acolhidos como uma fatalidade, mas como desafios que devemos
enfrentar. Como resultado do último sínodo sobre a África o papa Bento XVI
pediu que a Igreja, aqui presente, seja sinal de reconciliação, de justiça e de
paz. No seu documento (África e Munus) o papa diz que a África « é o
pulmão espiritual por uma humanidade em crise de fé e de esperança ».
Estudando a teologia aqui acredito que os cristãos africanos tem muito à dar
para nossa Igreja universal. E nossos cristãos do Brasil poderiam partilhar
muito mais da nossa fé, também tão viva, com nossos irmãos do outro lado do
Oceano Atlântico. Já escrevi bastante, foi só um tira gosto. Fica com vocês um
grande e forte abraço dos xaverianos aqui dos Camarões, principalmente dos três
brasileiros que aqui estão: Pe Herondi, Rafael e eu.
“Um sonho que se sonha só, é só um
sonho que se sonha só,
mas sonho que se sonha junto é
realidade” (Raul Seixas).
Com o coração
agradecido a Deus que abençoa, acompanha e ilumina a missão, gostaríamos
partilhar com todos vocês, amigos e familiares, as grandes maravilhas que Deus
fez na Paróquia de São Jose em União do Norte, durante a missão que foi
realizada em 3 meses, concluindo com uma semana intensa de atividades
missionarias. Vamos contar como aconteceu isso.
Um sonho foi
construído a partir da assembleia diocesana em Sinop o ano passado, baseado nas
diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil 2011-2015, nas
quais se coloca a urgência da Igreja de ficar em estado permanente de Missão:
“Facilidades geram mais acomodação do que crescimento. Igreja acomodada se
torna medíocre, morna, sem gosto. Surpreendemo-nos quando sabemos que alguém
trocou de religião e fica dizendo que lá encontrou Jesus. E nos perguntamos:
como é isso? Será que Jesus não estava aqui o tempo todo, na Palavra, na
Eucaristia, na missão?... Mas fica evidente que mesmo que não tenha faltado a
presença de Jesus, algo importante ficou ausente” (Estudos CNBB 97, n. 23).
Tudo isso mexeu com
a gente e logo foi dialogado primeiramente com o Pároco Pe. Renato e depois com
algumas lideranças da Paróquia, perguntando-lhes se isso poderia dar certo na Vila, pois tínhamos percebido um
pouco de indiferença religiosa e queríamos mexer, incomodar, profetizar que: o
impossível torna-se possível quando contamos com a cumplicidade de Deus em
nossas vidas, mas sobre tudo para reavivar o zelo missionário do ser
cristão.
Contamos com um
povo muito querido, porem necessitado de motivação, utopia, e sonhos coletivos
onde cada um coloca o seu talento, a sua riqueza o seu amor à Igreja. O
primeiro passo foi convocar os leigos e, graças a Deus, encontramos gente que
acreditou num jeito novo de ser Igreja, contando com a colaboração de 35 leigos
que foram o fermento que provocou a missão na Vila.
O segundo passo foi
contatar os Missionários Xaverianos, os quais
responderam positivamente ao convite. Ficamos tão agradecidos a Deus
pelo sim desses, pois juntar quatro padres xaverianos, cada um com a
responsabilidade de conduzir uma paróquia foi mesmo um milagre! Com disposição
e desapego viajaram do Paraná e São Paulo ao Mato Grosso, carregando consigo
uma boa dose de loucura pelo Reino.
A Vila foi dividida
em 5 áreas, cada uma contaria com a presença de um Padre e uma irmã xaveriana,
outra surpresa muito linda foi contar com a presença de uma leiga missionária
xaveriana, Ana, que com muita disposição e alegria completou a equipe
missionária ficando na área do Pe. Renato, e assim deu-se inicio à semana
missionária, após um árduo trabalho de formiguinha no qual visitaram-se as
famílias preparando-as e motivando-as para frequentar e fazer experiência
pessoal com Jesus Cristo; essas visitas duraram três meses.
Durante a semana
missionaria realizaram-se as seguintes atividades: visita e benção das
famílias, palestras para os casais com a benção dos mesmos, visita nas escolas
da Vila, encontro de jovens e adolescentes, encontro com os homens de cada
área, benção e envio das mães, encontro de formação das catequistas e
ministros, encontro e benção das crianças, celebração penitencial, benção dos
comércios e a reza do terço missionário. Dentro da semana aconteceu a
Solenidade do Corpus Christi, assim saímos de cada área em procissão,
concluindo com uma lindíssima Celebração Eucarística. Aproveitando o feriado
saímos juntos à cachoeira e assim passamos a tarde toda curtindo esse
inesquecível momento fraterno no esplendor dessa bela natureza.
A missão tinha
também outro lado celebrativo importante, os 50 anos de vida missionária
religiosa da Ir. Elisa Priante, a qual com os seus 82 anos ainda está atuante
na missão de União do Norte. O fato dela ter cultivado a própria vocação no
quotidiano, impactou e serviu de testemunho para as novas e velhas gerações,
pois tudo é possível quando acreditamos que Deus está ao nosso lado e com a
sua graça os nossos sonhos tornam-se realidade. O pe. Joao Bortoloci,
durante a celebração, lembrou uma frase de Dom Helder Câmara para a Ir. Elisa
na celebração dos 50 anos é a seguinte: É graça
divina começar bem.Graça maior
é persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca.E como é verdadeiro esse sentir.
Confirmamos ser
gente de esperança, capaz de acreditar e gerar Vida aonde a sociedade só
enxerga morte, capazes de semear alegria nos lugares aonde a tristeza impera,
acreditar que o nosso protagonismo pode construir, pedrinha por pedrinha, a
união e a identidade deste amado povo de União do Norte.
Partilhar com vocês
essas maravilhas nos fortalece e nos impulsiona a sonhar com os pés no chão; é
urgente criar na Paróquia a pastoral da visitação, criar novos grupos de
reflexão nas áreas, criar laços afetivos e efetivos para uma nova Evangelização
que atinja cada cristão de perto e de longe, preto ou branco, rico ou pobre,
etc… enfim, viver a lógica da inclusão, porque o nosso DEUS veio para nos
abraçar a todos sem distinção. Esse é o ideal que nos mantém nessa santa
tensão.
Não podemos deixar
de lado o sentir dos missionários leigos que fizeram acontecer a missão na
Vila; eis alguns depoimentos:
“Que pena que o
tempo foi muito curto, pois essa semana foi muito marcante, cada família teve o
prazer de receber a visita de um Padre na sua casa. Para varias famílias esse
fato foi uma grande surpresa. Ficamos muito felizes com os encontros, as missas,
palestras e confissões. O que mais me surpreendeu foi a criação do grupo dos
homens que se juntaram uma vez por semana para a reza do terço. Tenho certeza
que com essa missão iremos fortalecer ainda mais o nosso povo católico” (Luciana da Conceição, Secretaria
da Paróquia)
“As missões para
mim foram um aprendizado a mais na minha vida, porque, com a graça de Deus e a
força da Palavra, hoje posso dizer que tudo é possível, porque vi a presença de
Deus em todas as partes, nas dificuldades e nas alegrias. Houve uma bonita
experiência de partilha e conhecimentos humanos, onde a gente vive a realidade
em palavras, gestos, risos e ação, partilhando a sua vida e a vida de cada
família que vive a sua situação e os seus valores, costumes, diferenciados, defendendo
a sua crença e lutando pelos seus objetivos, mas sempre prontos para receber a
Palavra de Deus. E para nós, leigos e leigas que vivemos essa experiência, é o maior incentivo para podermos continuar essa
caminhada” (Selma Maria da Silva,
coordenadora da catequese).
“A presença dos
quatro missionários Xaverianos foi uma grande benção para a nossa Vila. Durante
três meses ficamos visitando as cinco áreas nas quais dividimos a Vila procurando formar novos multiplicadores leigos missionários das
mesmas áreas. Através desse trabalho se mexeu com o povo. Andamos uma semana de
casa em casa, abençoando-os e orando pelos doentes, com encontros que
aconteceram na parte da noite. Devemos esta presença e atenção às Irmãs
Xaverianas aqui presentes. Quando levei os 4 padres para Sinop, comentaram da sua felicidade em
ter vivido esses 10 dias entre nós. Foi
para nós e para eles uma grande experiência missionária” (Pe. Renato
Scheifer, Pároco).
“Olhando minha
longa caminhada dos 50 anos de vida missionária, só tenho que agradecer a Deus
pela sua infinita Misericórdia, de estar sempre ao meu lado, nos momentos
difíceis e nos momentos de alegria, sustentando a minha vocação e a minha
fidelidade à missão. Agradeço a Deus e as minhas superioras que, apesar da
minha idade, posso estar trabalhando na missão. Peco a Deus a graça de ser fiel e trabalhar até o fim da
minha vida pelo Reino de Deus e pelos irmãos que mais necessitam” (Ir. Elisa
Priante, Missionaria de Maria Xaveriana).
"O bairro de Samambaia foi privilegiado
por contar com a presença de Pe. Joao Bortoloci. Ele fez muita gente ir na
Igreja através das visitas nas casas. Todas as casas que visitamos nos
receberam muito bem durante esses 10 dias, embora não deu para visitar todas,
porque esse bairro é um dos mais grandes da Vila. Porem daria para formar 4
grupos de reflexão. Foi muito bom aprender aquele jeito lindo que o Pe. João
tinha para com o povo. O padre João celebrou varias missas nesses 10 dias, o
povo participou muito bem e ficou com saudade desse grande e querido
missionário” (Clemencia, coordenadora dos grupos de reflexão).
Religiões: islamismo
54,7%; novas religiões 21,8%; cristianismo 13,1%; hinduismo 3,4%; outras 4,8%;
sem religião 2,1%
Expulsos da China em 1951,
os Xaverianos voltaram-se para o arquipélago das quatorze mil ilhas indonésias.
Detiveram-se em Sumatra, uma das ilhas maiores. A paisagem era característica
de clima equatorial, com montanhas, colinas e grandes arrozais cultivados como
jardins, florestas milenárias e pântanos infestados de mosquitos, ou ilhas
perdidas no mar, como as ilhas Mentawai.
A área confiada aos
xaverianos, a Sumatra Central, tinha uma extensão de 133 mil quilômetros
quadrados, com três milhões e meio de habitantes. Apenas dois mil eram
cristãos: uma missão que começava praticamente do nada. Do ponto de vista
religioso, a Indonésia era um feudo do Islã, ao qual pertencia numa proporção
de 95% da população.
O empreendimento que
exigiu maior empenho dos Xaverianos foi, provavelmente, a penetração nas
Mentawai, uma fileira de ilhas a 100 quilômetros da costa ocidental de Sumatra,
onde nenhum missionário havia posto os pés até então. Os Xaverianos encontraram
cerca de 30 mil aborígenes. Hoje, naquelas ilhas florescem numerosas
comunidades cristãs.
Nestes anos, a Indonésia
está restituindo aos Xaverianos o que deles recebeu. São numerosos os jovens
que, fascinados pela figura de Xavier, evangelizador das Molucas no século XVI,
se alistaram nas fileiras dos Xaverianos.
Relato de Missão por Pe. Piero
Gheddo, Missionário do Pime
A Indonésia é um país fascinante, uma
Ásia diferente de todas as outras, um mundo à parte. Lá, percebe-se a
influência da Índia, da Malásia, da China, da Oceania e da modernização trazida
pelo Ocidente cristãos. O povo é constituído por uma mistura tal de raças,
línguas (250), religiões, culturas, costumes, que qualquer coisa que se diga da
Indonésia se pode citar também o exato oposto. Por exemplo, diz-se que 89% do
povo indonésio é constituído de muçulmanos, mas depois se descobre que os
muçulmanos não são mais de 55%; muitos se declaram muçulmanos somente porque,
uma vez atingida a maioridade de idade, em todos os documentos oficiais devem
declarar a sua pertença a uma das cinco religiões reconhecidas pelo estado:
islã, hinduísmo, budismo, protestantismo e catolicismo. Assim, os animistas
tradicionais, para o estado, são muçulmanos. Em Java existe um grande movimento
popular que pede ao governo reconhecer também as religiões originais da ilha
mais habitada, o animismo que tem os seus próprios ritos e seus lugares de
culto.
A quantidade de católicos existente na Indonésia está entre 6 e 10 milhões, com os protestantes, chega-se a 20 milhões o número de cristãos, sobre uma população de 240 milhões (dos quais 100 milhões concentram-se na Ilha de Java). A incerteza dos números é fácil de entender: os cristãos são acusados de "proselitismo", palavra mágica usada em qualquer circunstância.
Também o socorro aos pobres ou em casos de emergência, são tentativas de "convergir" o povo islâmico. As vezes, são incendiadas as casas e capelas dos cristãos, vidros quebrados por pedras, etc. A Indonésia é vastíssima e tudo muda de uma ilha para outra. por exemplo, a ilha de Bali é inteiramente hindu, Flores, inteiramente católica. Visitei sobretudo a grande Sumatra, onde osmissionários
Xaverianos trabalham desde 1951, admiráveis em seus esforços em meio a uma situação nada fácil: homens fortes, convictos, cordiais, realizadores, há quinze anos também ricos de vocações locais. Em Sumatra resulta claro que um dos principais problemas da Indonésia e o Islã, um Islã importado com os mercados árabes, que não penetrou em profundidade na cultura e
mentalidade local: de fato, o povo é tolerante, mas no último meio século aparece sempre
mais extremista, intolerante. Dizem que o governo proibiu o ingresso aos
estrangeiros que se estabilizam na Indonésia, principalmente para evitar a
chegada de pregadores árabes, financiados pelos países do petróleo, portadores
de um forte extremismo anti-ocidental, antiamericano, anti-cristãos.
Relato de Missão
por Pe. Edenilson Turozi, foi Missionário Xaveriano na Indonésia
Logo nos primeiros meses da minha chegada
à Indonésia, país do sudeste da Ásia, estive visitando o povo sulawesi, nas
ilhas Mentawai. Ainda estava atordoado pelo novo ritmo de vida, pelo que os
especialistas no assunto costumam chamar de inculturação. Uma semana de muita
aprendizagem, de descobertas cotidianas e valiosas. Nesse período também pude
ver e ouvir de perto o trabalho de muitos missionários que procuram ajudar, de
alguma forma, os povos da floresta, sobretudo os indígenas.
As ilhas Mentawai localizam-se em
Sumatra. Os xaverianos desenvolvem um trabalho missionário há mais de quarenta
anos nesse arquipélago. Foi nas ilhas Mentawai, aliás, que a congregação
investiu grande parte de seu contingente missionário.
A ilha que visitei foi a de Sikabaluan.
Apesar de estar geograficamente perto de Sumatra, o barco levou dez horas para
chegar lá. Logo que atracamos, eu e alguns companheiros fomos recebidos com
cantos e uma hospitalidade de primeira. Pude ver uma ilha muito bonita e
propícia para uma belíssima pesca debaixo d'água. Nas demais ilhas o surfe é o
esporte mais praticado.
Numa das celebrações, fiquei encantado
com um coral de jovens. Um detalhe: durante as orações eles usavam flores
presas ao cabelo. Informaram-me que esse costume era típico da cultura local.
Lembro-me também que o nome de um dos jovens que dirigia o coral era Samseri,
cuja tradução aproximada seria: "o brilho da lua", porque ele nasceu
numa noite enluarada.
Constatei que as atividades dos missionários
demonstravam respeito pelos costumes culturais e um esforço para se adaptar às
condições de vida do povo. Creio que os missionários tiveram uma postura um
tanto diferente da política vigente do ex-ditador indonésio Suharto, que
preferia impor um projeto de desenvolvimento a esses povos a procurar entender
e respeitar sua cultura.
Pelo visto, os missionários que atuam
em Sikabaluan aprenderam a língua local muito bem. Também tive a sorte de
participar da ordenação do primeiro sacerdote diocesano do lugar.
Outra coisa inesquecível foi ter comido
o sago (um tipo de farofa feita de frutos de uma árvore típica da região) e ter
bebido água das chuvas que estavam represadas em reservatórios. Não dispondo de
água encanada, bebe-se água das chuvas mesmo. O sago é um dos principais
alimentos para os habitantes das ilhas Mentawai e os animais. Sago é a árvore
da vida.
Um grupo de leigos aventurou-se a
seguir o padre Pio Framarin no meio da floresta ao encontro de algumas
comunidades. Num mundo em que, graças a Deus, existe a vontade de respeitar as
diferenças, o indígena é visto como o outro que desvela sua face diante de nós.
É um outro diferente de nós, mas que exige reconhecimento e respeito. A sua
própria existência evoca em todos nós a responsabilidade para com a sua
continuidade e a preservação de sua cultura.
Como diz o Evangelho, não se trata
somente de procurar o que é melhor para mim mesmo, mas também o que é melhor
para os outros. O melhor para todos é que a vida humana seja respeitada onde
quer que seja.
Superfície: 799.380 km2
(do tam. do Goiás e Tocantins)
População: 18,6 milhões de
habitantes
Línguas: português,
línguas regionais
Expectativa de vida: 38
anos
Adultos alfabetizados:
43,8%
Renda per capita: 220
dólares por ano
Religiões: regliões
tradicionais 50,4%; cristianismo 38,4%; islamismo 10,5%; outras 0,7%
MISSÃO COM PAIXÃO
Por Pe. João Bortoloci
IMPELIDOS PELO AMOR DE CRISTO
O
amor de Cristo nos impeliu a uma realidade nova, uma nova missão: Moçambique.
Os missionários xaverianos sonharam; a Igreja em Moçambique desafiou e Deus fez
acontecer. Desde o dia 2 de março de 1998, nós, missionários xaverianos,
estamos pisando neste chão bendito onde São Francisco Xavier também pisou. Chão
de dores e gritos de escravidão (1594-1975); chão de mortes, sangue derramado e
dispersão do povo pela guerra civil (1975-1992); chão de sofrimentos pela fome,
pobreza, doenças, analfabetismo e pela falta de infra-estruturas básicas de
vida; chão marcado pelos destroços da guerra, pelas minas-bombas e pela
destruição dos valores humanos e falta de perspectivas de futuro. Porém, é
também um chão onde foi lançada a semente da paz e um chão aberto para se
lançar a semente do Evangelho, do amor e da justiça. É hora de reconstruir; é
hora de sonhar e semear esperança.
IR PARA O OUTRO LADO DO MAR
No
outro lado do mar, antes de iniciar a missão, é preciso sentar-se um pouco para
conhecer a realidade local, a cultura do povo, línguas, costumes, a caminhada
feita pela Igreja etc. Enfim, ter uma base para iniciar o trabalho. Comparo
este tempo com a história da águia: ela é a ave que mais vive, podendo chegar
aos 70 anos. Porém, para que isto aconteça, quando chega mais ou menos aos 30,
ela se retira para a montanha e passa aí um tempo de, mais ou menos, 150 dias.
Durante esse período, ela faz três coisas importantes: primeiro, arranca seu
velho bico, esfregando-o nas pedras para que nasça um novo. Depois, já com o
bico novo, arranca as velhas unhas e também as penas, para que nasçam novas.
Pe. João Bortoloci em comunidade africana
Durante
o tempo do seu processo de renascimento as outras águias trazem-lhe alimento.
Assim deve acontecer com os missionários diante da nova missão. Precisamos nos
libertar de nossa “linguagem”, de raízes culturais, costumes e de tantas outras
coisas de nossa realidade, que impedem nosso renascimento e abertura para o
novo que vem do outro. Como a águia, que se transforma para ter mais vida, é
alimentada por outras águias, assim o missionário precisa, sobretudo, comer e
beber da cultura, da vida do povo onde vai servir. Isto se chama de processo de
inculturação. Processo lento, mas fundamental, para o trabalho de
evangelização.
“VÃO E ANUNCIEM”
Iniciamos
a nossa missão em Moçambique com 4 missionários xaverianos sendo eu um deles.
Atualmente são 9 missionários xaverianos atuando em quatro comunidades: Dondo,
Chemba, Sena e Charre num vasto território na arquidiocese da Beira e Tete, onde mais ou menos 10% da
população são católicos. Muitas são as necessidades, sobretudo nos campos da
educação, da saúde, da reconstrução das estruturas básicas, nas quais
colaboramos. Nosso trabalho específico, porém, é a Evangelização.
Algumas prioridades fundamentais:
Pe. João Bortoloci em comunidade africana
1 – Primeiro anúncio: Gastamos nossa vida em uma localidade onde poucos, ou
quase ninguém, investem. É uma realidade de não-cristãos e de pobreza.
Moçambique encontra-se entre os oito países mais pobres do mundo. Somos felizes
por estar no meio desta gente e, sobretudo, ao ver que nosso trabalho
evangelizador não é em vão: milhares de pessoas, entre adolescentes, jovens e
adultos, entraram e continuam entrando no catecumenato, em preparação ao
batismo. A catequese é um processo de aprendizagem e de vivência que dura 4
anos.
2 – As novas comunidades: Depois de um acompanhamento no catecumenato, procuramos
animar as comunidades já existentes, da mesma forma como somos animados pela
fé, acolhida, alegria e pelo compromisso missionário. Muitas são também as
comunidades nascentes, algumas até sem a presença de nenhum cristão. Ainda não
chegamos em muitas localidades, devido à distância e falta de estradas. Porém,
nada é empecilho. Nas comunidades, há o ministério missionário Nyakokota
(pescador), com o objetivo de não deixar ninguém sem ouvir a Palavra de Deus.
Há também a experiência das comunidades missionárias, que fundam ou acompanham
comunidades nascentes. Gostaríamos de frisar que a resistência na fé, vivida e
celebrada em meio a tantos sofrimentos, por tantos cristãos moçambicanos, nos
tempos de guerra, hoje é semente de novos cristãos e novas comunidades cristãs.
3 – Lideranças: Em Moçambique, a Igreja está estruturada em paróquias ou
“Missões”, descentralizadas em comunidades e, em alguns lugares, em núcleos. Os
ministérios leigos são uma benção de Deus para as comunidades. O grande desafio
é a formação de tantas lideranças. Só no campo da catequese é preciso “fazer das tripas o coração” para colaborar na
formação dos catequistas e dar certo acompanhamento aos catecúmenos. Na missão
onde eu trabalhei por 10 anos , quando saí havia mais de 200 catequistas e
milhares de catecúmenos. Reunir todos os envolvidos nos vários ministérios era
quase impossível. São programados muitos encontros de formação como exigência
fundamental para a vida das comunidades.
A IGREJA LOCAL
É
uma Igreja pobre, dependente economicamente do exterior e em reconstrução de
suas estruturas básicas, pois boa parte delas ainda está nacionalizada. Esteve
sempre ao lado do povo, sobretudo nos momentos difíceis da guerra, em que teve
significativo papel para a mediação da paz.
É
uma Igreja pobre em poder, porém se impõe com voz profética em defesa dos
direitos humanos e na conscientização do povo. Apesar da sua pobreza, assumiu
gestos bonitos de solidariedade, especialmente durante as catástrofes. É uma
Igreja que aposta na educação e que vive um momento florescente de despertar
vocacional. Como xaverianos, colaboramos diretamente na formação do clero
local.
Vocações
xaverianas poderão ser pensadas no futuro. É uma Igreja com mais de 30 etnias,cada
uma com a sua língua, e com a presença
de muitas religiões. Só na paróquia Santa Ana na cidade de Dondo onde trabalhei
havia a presença de 122 religiões.
Enfim, é uma Igreja que começa a se abrir para a dimensão missionária. O Sínodo Africano afirmou: “A
Igreja da África não é chamada a testemunhar Jesus Cristo somente no continente
africano: a ela também é dirigida a palavra de Cristo Ressuscitado: ‘Sereis
minhas testemunhas até os confins da terra’” (At. 1,8 v. 125).
É PRECISO RENASCER
Depois
de 10 anos em Moçambique, “RENASCER” se apresenta para mim como um grande
desafio.
Por isso, é preciso entrar:
Pe. João Bortoloci em Igreja africana
– no Ventre
da Solidariedade, pois a missão precisa de missionários capazes
de compaixão pelo outro, pelos empobrecidos, sendo sinal de esperança e de
vida;
–
no Ventre da Espiritualidade,
pois a missão precisa de missionários comunicadores de Deus, capazes de
contemplar o rosto de Cristo no rosto sofrido do povo, testemunhando a presença
de um Deus que ama;
–
no Ventre do Diálogo,
pois a missão precisa de missionários capazes de viver a comunhão na
diversidade de povos, raças, culturas e religiões, testemunhando fraternidade e
paz;
–
no Ventre da Ousadia,
pois a missão precisa de missionários profetas, resistentes, capazes de sonhar
que um mundo novo é possível, a partir da própria realidade onde se vive. Que
naquele poço há “água viva”;
–
no Ventre da Paixão,
pois a missão precisa de missionários apaixonados pela causa da Evangelização,
capazes de doarem a própria vida, para que todos os povos possam conhecer e
viver com prazer o projeto do Reino de Deus.