sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MISSÃO XAVERIANA NA COLÔMBIA


Histórico e contexto social-político da Colômbia



Colômbia, oficialmente República da Colômbia (em espanhol: República de Colômbia), é uma república constitucional do noroeste da América do Sul. A Colômbia faz fronteira a leste com a Venezuela e Brasil; ao sul com o Equador e Peru; para o norte com o Mar do Caribe, ao noroeste com o Panamá; e a oeste com o Oceano Pacífico.



A Colômbia também tem fronteiras marítimas com a Venezuela, Jamaica, Haiti, República Dominicana, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. Com uma população de mais de 45 milhões de pessoas, a Colômbia tem a 29ª maior população do mundo e a segunda maior da América do Sul, depois do Brasil. A Colômbia é o terceiro país mais populoso com a língua espanhola como idioma oficial (depois do México e Espanha), e tem a quarta maior comunidade de língua espanhola no mundo depois do México, Estados Unidos e Espanha.

O território que é hoje a Colômbia foi originalmente habitado por nações indígenas, incluindo os Chibchas, Quimbaya e Tairona. Os espanhóis chegaram em 1499 e iniciaram um período de conquista e colonização matando ou tomando como escravos quase 90% da população nativa e, em seguida, criando o Vice-Reino de Nova Granada (que compreendia a Colômbia moderna, Venezuela, Equador, a região noroeste do Brasil e Panamá), com sua capital em Bogotá. A independência da Espanha foi conquistada em 1819, mas por volta de 1830 a "Grã Colômbia" ruiu com a secessão da Venezuela e do Equador. Os atuais Colômbia e Panamá emergiram como a República de Nova Granada. A nova nação experimentou com o federalismo como a Confederação Granadina (1858) e, em seguida, os Estados Unidos da Colômbia (1863), antes de a República da Colômbia ser finalmente declarada em 1886. O Panamá se separou em 1903 sob pressão para cumprir as responsabilidades financeiras para com o governo dos Estados Unidos para a construção do Canal do Panamá.

A Colômbia é etnicamente muito diversa e a interação entre os descendentes dos primeiros habitantes indígenas, colonos espanhóis, africanos trazidos como escravos e imigrantes do século XX vindos da Europa e do Oriente Médio produziu um rico patrimônio cultural. Isso também foi influenciado pela geografia bastante variada da Colômbia.

A maioria dos centros urbanos estão localizados nos Andes, mas o território colombiano também abrange a floresta amazônica, pastagens tropicais e os litorais do Caribe e do Pacífico. Ecologicamente, a Colômbia é um dos 17 países megadiversos do mundo (os de maior biodiversidade por unidade de área).

Religião

Com base em vários estudos, mais de 95% da população do país adere ao cristianismo, a grande maioria dos quais (entre 81% e 90%) é de católicos romanos. Cerca de 1% dos colombianos participa de religiões indígenas e menos de 1% segue o judaísmo, islamismo, hinduísmo e budismo. No entanto, apesar do alto número de adeptos, cerca de 60% dos entrevistados de uma pesquisa feita pelo El Tiempo informaram que não são praticantes ativos de sua fé.

Embora a Colômbia continue a ser um país católico, a constituição do país garante a liberdade e a igualdade de religião. Grupos religiosos são facilmente capazes de obter o reconhecimento como associações organizadas, apesar de alguns pequenos terem enfrentado dificuldade em obter o reconhecimento adicional necessário para oferecer serviços de capelania em estabelecimentos públicos e realizar casamentos legalmente reconhecidos.

Presença dos Xaverianos junto a uma igreja que cresce

O Xaverianos chegaram à Colômbia em 1975, inserindo o país no longo processo de evangelização iniciado no século XVI com as "reduções" (Comunidade Cristã religiosa, política). No século XVII, enquanto as paróquias iam sendo criadas, iniciava também o trabalho pastoral de forma mais profunda entre grupos de indígenas, quando S. Pedro Claver levantou sua voz contra o comércio de escravos. Com a independência (1819) começou um momento difícil para a Igreja da Colômbia.

Houve expulsões de padres e bispos, profanação de Igrejas e controle do culto. Apenas com a Concordata de 1878 com o S. Assento, houve um pouco de "trégua”, mesmo que em um "regime de cristandade".

A celebração da Primeira Assembleia do Conselho Episcopal da América Latina, realizada em Medellín, na Colômbia, iniciou um período de renovação da Igreja profética, envolvendo principalmente os homens na defesa dos direitos humanos e de denúncia das injustiças.

Os Xaverianos começaram suas atividades no grande porto de Buenaventura, na costa do Pacífico.




A população é constituída principalmente de pessoas de ascendência Africana, sofrendo, assim como a discriminação, e também com os males tradicionais do país: pobreza, drogas e violência.

Os Xaverianos marcam sua presença na Colômbia, estando ao lado de sua população em um esforço para dar vida aos valores tradicionais trazidos da África e para ajudá-los a se sentirem parte da grande comunidade nacional e eclesial. Em Cali o trabalho dos Xaverianos é realizado na periferia desta grande cidade, para restaurar a dignidade a tantas pessoas desenraizadas.





Na capital Bogotá, onde chegaram iniciando a presença missionária, os xaverianos voltaram-se para um novo tipo de atividade: a pastoral vocacional entre os jovens e a Animação Missionária na Igreja. Fazer com que a Igreja local abra-se para a dimensão missionária, especificamente através do carisma xaveriano, tornando a Igreja da Colômbia desejosa de ir além de suas fronteiras, a fim de dar "de sua pobreza".


Imagens Colômbia - Buenaventura


















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Imagens Colômbia Bogotá, Calí









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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MISSÃO XAVERIANA NO BANGLADESH



O Bangladesh é um país asiático rodeado quase por inteiro pela Índia, exceto a sudeste, onde tem uma pequena fronteira terrestre com Myanmar, e ao Sul que é banhado pelo Baia de Bengole.

Entre 1947 a 1971, a região que hoje é Bangladesh era chamada  Paquistão Oriental. Depois da guerra civil de nove meses (1971) entre o Paquistão Ocidental(atual Paquistão) e o Paquistão Oriental, ocorreu a separação e a parte oriental conquistou sua independência passando a se chamar Bangladesh.
Como a região, hoje denominada Bangladesh era um Estado da Índia, dos quatro lados,  três fazem fronteiras com a mesma.. Muitos dos aspectos físicos e culturais de Bangladesh são partilhados com a região denominada  Bengala Ocidental o qual é  um Estado da Índia e do qual o atual Bangladesh teve origem.. O nome Bangladesh significa "nação de Bengala, ou povo que fala a língua bengala ou bengali. Seu território ocupa uma área de  56.977 km (quadrados) um pouco maior que o Estado de São Paulo, sustenta uma população de 150 milhões de habitantes  e sua capital  é Dhaka com mais de 12 milhões de habilitantes.

Entre as grandes riquezas naturais do Bangladesh destaca-se a grande quantidade de rios que cortam todo o seu território, e são os principais canais de comunicação, irrigação e fonte de alimento. 

O Bangladesh está dividido em 6 Estados (em bengali: bibhag) e estes em 64 províncias (zila). Cada província foi batizada com o nome de sua respectiva capital: Entre elas as mais importantes são: Barisal, Chittagong, Dhaka, Khulna, Rajshahi, e Sylhet. Bangladesh é uma democracia parlamentarista, chefiado por um primeiro-ministro. 

O Parlamento conta com 330 cadeiras eleitas direta ou indiretamente representando as províncias.. A agricultura é a principal atividade econômica do Bangladesh. O arroz e peixe são os principais alimentos do povo de Bangladesh. Além do arroz que é cultivado três vezes no ano, da abundancia de peixes, cultiva-se a juta,  (planta usada para fazer estopa e barbante) o chá, que é a principal bebida e uma diversidade de legumes, frutas e verduras o que complementam a economia. A principal unidade de moeda é a taka (um real equivale a aproximadamente a 30 takas).

Dos 150 milhões de habitantes, apenas 317.466 mil são Católicos. A maioria da população,cerca de 85%, são muçulmanos, sendo o restante composta de hindus,  budistas,  cristãos não católicos e inúmeros povos tribais com religião própria. A língua nacional, bengali, é falada por mais de 98 % da população. Bengalis constituem o maior grupo étnico, e as minorias(2%) incluem quarenta e  cinco tribos diferentes. Entre as principais tribos destaca-se: Santal, Chakma, Garo (Mandi) e  o Mogh.. O Islã ou islamismo é a religião oficial do Estado,. A história e cultura do Bangladesh remonta a mais   de 2500 anos. Como conseqüências das diferentes religiões e diversidade étnica  a cultura do Bangladesh conta com uma riquíssima diversidade cultural e artística . 

A evangelização começou no século XVI pelos padres jesuítas, dominicanos e agostinianos. Depois chegaram a Congregação da Santa Cruz, do  PIME e dos xaverianos  além de outras duas congregações de irmãs para dar continuidade à evangelização. Atualmente o  Bangladesh está dividido em sete dioceses. Os Missionários Xaverianos  chegaram em Bangladesh em 1952.   estão trabalhando nas dioceses de Khulna, (fundada pelos Xaverianos), Dhaka, Mymensingh, e Dinajpur.  A diocese de Khulna fica a sudoeste do Bangladesh. Segundo as estatísticas oficiais, o número de católicos da diocese é de cerca 33,500(mil) pessoas. Os católicos das onze paróquias da diocese, como os católicos brasileiros, são pessoas de bastante fé e muita devoção, especialmente com relação à Nossa Senhora( "Ma Maria" como é chamada)

A missão dos Xaverianos no Bangladesh inclui a animação das comunidades nas paróquias, atividade de inculturação da mensagem cristã, diálogo inter-religioso,  formação acadêmica e técnico-profissional de jovens em escola técnica, a atenção às minorias étnicas, crianças de rua e com  doentes em hospitais.. Os Xaverianos buscam testemunhar os valores do Cristianismo com a fé no Deus de Jesus, a esperança na vida eterna e o Amor Misericordioso do Deus 'Abba', vivendo o valor da fraternidade, partilhando o seu tempo, sua vida  como Missionários.

Embora a religião oficial do Bangladesh é o Islamismo, os cristãos tem liberdade de praticar sua fé e sua presença tem sido de profundo dialogo e compromisso no projeto de fazer do mundo uma só família como sonhava  nosso fundador São Guido Maria Conforti ". 

sábado, 25 de agosto de 2012

Núcleo de Laranjeiras/PR



Núcleo de Laranjeiras/PR

Missa com a participação dos Leigos Missionários Xaverianos, Liturgia e Cantos (em Italiano em homenagem ao casal Alessandro e Alessandra Andreoli e aos sacerdotes xaverianos italianos que estão em nossa paróquia há 50 anos e no dialeto africano swahili, lembrando o continente africano, foco principal da nossa ação missionária) em 05.08.2012, com Maria Luisa Sozzi (amiga dos xaverianos - Itália) e os Leigos...
Celebração presidida pelo querido Pe Mario.
Elizete da Aparecida Toledo


sexta-feira, 20 de julho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NOS CAMARÕES - CHADE


REPÚBLICA DOS CAMARÕES


Camarões é um país africano, limitado a oeste e a norte pela Nigéria, a leste pelo Chade e pela República Centro-Africana, a sul pelo Congo, pelo Gabão e por Rio Muni (Guiné Equatorial) e a oeste pelo Golfo da Guiné, através do qual faz fronteira com a Guiné Equatorial, via a ilha de Bioko. A capital é Yaoundé.
Os navegadores portugueses - notadamente Fernão do Pó - chegaram à costa dos Camarões em 1472. Notaram a abundância de camarões (Lepidophthalmus turneranus) nos mangues do rio Wouri e o denominaram Rio dos Camarões, de onde deriva o nome actual do país.



Apesar da chegada dos portugueses à costa dos Camarões no século XV, a malária impediu os europeus de se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao fim da década de 1870, quando grandes quantidades de quinino se tornaram disponíveis. No início, os europeus estavam sobretudo interessados em comerciar, o que faziam na zona costeira, e adquirir escravos. O comércio de escravos foi reprimido a meio do século XIX, ainda na parte final desse século instalaram-se nos Camarões missões cristãs, as quais continuam a desempenhar um papel na vida do país.

No dia 5 de julho de 1884 a totalidade do território camaronês e alguns territórios vizinhos tornaram-se a colónia alemã de Kamerun, com a capital situada primeiramente em Buéa e depois em Yaoundé. Após o final da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido e a França dividiram essa colônia, cabendo à França a maior área, sendo as zonas mais distantes transferidas para o domínio de outras colônias francesas, e governando o restante a partir de Yaoundé.

Os Camarões franceses alcançaram a independência em 1960 sob a denominação de República dos Camarões, no território conhecido como Camarões do Norte e Camarões do Sul. No ano seguinte, a maioria muçulmana do norte, que dominava dois terços dos Camarões britânicos, votou pela adesão à Nigéria, enquanto que no sul a maioria cristã, votou de forma que o outro terço dos Camarões britânicos aderisse à República dos Camarões, formando a República Federal dos Camarões. Permanece no entanto em aberto o conflito da Ambazónia (Camarões do Sul).


MISSÃO XAVERIANA NOS CAMARÕES-CHADE

Adriano Cunha Lima, sx


Queridos irmãos e irmãs é com alegria que partilho com vocês um pouquinho da vida dos xaverianos nestas terras africanas. Fazem somente três anos que estou na capital dos Camarões, Yaoundé, e durante dois meses  tive a grande oportunidade de conhecer o Chade. Assim sendo eu lhes preparo para uma partilha pessoal, resultado das minhas experiências. Um outro teria a liberdade de ver uma ou outra coisa diferentemente.

Às vezes pensamos que África é um país. Ora, a África é um continente como a América. E os Camarões é diferente do Chade como o Brasil é diferente do Paraguai. Neste grande e diverso continente africano os xaverianos estão em 6 países : Congo (RDC), Burundi, Serra Leoa, Moçambique, Camarões et Chade. Se os xaverianos no Brasil dividiram a missão em duas regiões, nós aqui juntamos dois países para formar uma única região : os Camarões e o Chade (aqui diríamos le Cameroun et le Tchad). Falar destes dois países tão diferentes em poucas linhas me parece difícil. Prefiro então, deixar o Chade para uma proxima vez.

Os Camarões tem uma população de 19, 4 milhões e uma superfície de 475 440 Km2 (para imaginar, nós podemos pensar no Estado de Minas Gerais, tanto quanto ao tamanho que quanto à população). Este país conta com 260 grupos étnicos, cada um com sua língua própria. Esta variedade da população acompanha a grande diversidade natural deste país que lhe dá o direito de ser conhecido como a « África em miniatura ». O francês e o inglês são as duas línguas oficiais. No dia 1° de janeiro de 2010 nós celebramos 50 anos de sua independência da França. O presidente atual é Paul Biya, cargo que ele ocupa depois de 1982. A democracia me parece extremamente frágil. Os cristãos formam mais de 50% da população, os mulçumanos 24,8%, o restante esta ligado às religiões tradicionais. A esperança média de vida é de 51, 7 anos.

Os xaverianos chegaram nos Camarões em 1986. Hoje em dia estamos presentes em 6 comunidades em 4 cidades diferentes. Uma paróquia e a comunidade de filosofia em Bafoussam ; uma paróquia e um centro missionário na cidade de Douala (capital econômica do país) ; uma paróquia e um centro cultural em Yagoua (extremo norte do país) ; e uma paróquia e nossa comunidade de teologia na periferia de Yaoundé (capital do país). Todas as nossas missões estão em zonas onde se fala o francês. É aqui em Yaoundé também a sede da revista do Centro de Estudos Africanos (Centre d’Études Africaines) que começa a produzir seus primeiros números.

Nossos trabalhos nestas comunidades são diferentes de acordo com o meio e as orientações das dioceses. Um grande ponto em comum das nossas paróquias é a existência das comunidades eclesiais de base, chamadas aqui de comunidades eclesiais vivantes. Em Douala a animação missionaria começa a dar frutos. O primeiro é a existência de um grupo de amigos dos missionários xaverianos que já caminha bem. Em Yaoundé um outro « GAMIX » parece querer surgir. Desta terra ja partiram missionários xaverianos para o mundo : Colômbia, México, Itália, Filipinas, Burundi, Chade e aqui mesmo nos Camarões. Sem falar que no próximo ano escolar nós teremos representantes dos Camarões nas nossas quatro teologias internacionais. Mesmo querendo deixar o Chade para uma próxima vez é importante dizer que o primeiro xaveriano chadiano estará à partir de outubro deste ano começando o ultimo ano dos estudos de teologia aqui em Yaoundé. Que Deus lhe dê perseverança !

A minha grande alegria em estar aqui foi a possibilidade de conhecer tanta gente boa. É bonito descobrir que temos irmãos tão distantes da gente e que formam uma só família ao lado do Pai. Encontrei um povo ativo na vida da Igreja, que gosta de se formar. Descobri que a África que imaginamos no Brasil não corresponde nem à 10% daquilo que vemos aqui. E aquelas imagens feias que vemos na televisão se contrastam com o sorriso de um povo que gosta da vida. Os jovens são muito disciplinados para os estudos. Existe uma grande variedade na comida e graças à boa acolhida das família eu pude provar uma grande parte. Se de um lado as cores e os tambores nos fazem ver a África tradicional ainda presente, os celulares, gravatas e computadores nos mostram sua proximidade com o mundo globalizado.

Não quero dizer com isso que a vida seja fácil. Este país tem problemas sérios à resolver. Uma grande melhora no sistema de saúde seria necessário. Aqui tudo se paga, resultado… nem todos tem o verdadeiro direito à saúde. As condições de saneamento não são das melhores. Água e eletricidade faltam sempre e são caras… 
Coisas que muitos brasileiros conhecem perfeitamente. Talvez o grande problema é a falta de vontade política que abre um grande espaço para a corrupção que se estende à todos os setores da sociedade. Penso ainda mais nos jovens que, como os nossos do Brasil, procuram intensamente uma vida melhor. Muitos aqui com mestrados e doutorados estão nas filas de emprego.




Estes problemas não são acolhidos como uma fatalidade, mas como desafios que devemos enfrentar. Como resultado do último sínodo sobre a África o papa Bento XVI pediu que a Igreja, aqui presente, seja sinal de reconciliação, de justiça e de paz. No seu documento (África e Munus) o papa diz que a África « é o pulmão espiritual por uma humanidade em crise de fé e de esperança ». 




Estudando a teologia aqui acredito que os cristãos africanos tem muito à dar para nossa Igreja universal. E nossos cristãos do Brasil poderiam partilhar muito mais da nossa fé, também tão viva, com nossos irmãos do outro lado do Oceano Atlântico. Já escrevi bastante, foi só um tira gosto. Fica com vocês um grande e forte abraço dos xaverianos aqui dos Camarões, principalmente dos três brasileiros que aqui estão: Pe Herondi, Rafael e eu.



Adriano Cunha Lima, sx

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NO MATO GROSSO



“Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só,
mas sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Seixas).

Com o coração agradecido a Deus que abençoa, acompanha e ilumina a missão, gostaríamos partilhar com todos vocês, amigos e familiares, as grandes maravilhas que Deus fez na Paróquia de São Jose em União do Norte, durante a missão que foi realizada em 3 meses, concluindo com uma semana intensa de atividades missionarias. Vamos contar como aconteceu isso.


Um sonho foi construído a partir da assembleia diocesana em Sinop o ano passado, baseado nas diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil 2011-2015, nas quais se coloca a urgência da Igreja de ficar em estado permanente de Missão: “Facilidades geram mais acomodação do que crescimento. Igreja acomodada se torna medíocre, morna, sem gosto. Surpreendemo-nos quando sabemos que alguém trocou de religião e fica dizendo que lá encontrou Jesus. E nos perguntamos: como é isso? Será que Jesus não estava aqui o tempo todo, na Palavra, na Eucaristia, na missão?... Mas fica evidente que mesmo que não tenha faltado a presença de Jesus, algo importante ficou ausente” (Estudos CNBB 97, n. 23).


Tudo isso mexeu com a gente e logo foi dialogado primeiramente com o Pároco Pe. Renato e depois com algumas lideranças da Paróquia, perguntando-lhes se isso poderia dar  certo na Vila, pois tínhamos percebido um pouco de indiferença religiosa e queríamos mexer, incomodar, profetizar que: o impossível torna-se possível quando contamos com a cumplicidade de Deus em nossas vidas, mas sobre tudo para reavivar o zelo missionário do ser cristão.

Contamos com um povo muito querido, porem necessitado de motivação, utopia, e sonhos coletivos onde cada um coloca o seu talento, a sua riqueza o seu amor à Igreja. O primeiro passo foi convocar os leigos e, graças a Deus, encontramos gente que acreditou num jeito novo de ser Igreja, contando com a colaboração de 35 leigos que foram o fermento que provocou a missão na Vila.

O segundo passo foi contatar os Missionários Xaverianos, os quais  responderam positivamente ao convite. Ficamos tão agradecidos a Deus pelo sim desses, pois juntar quatro padres xaverianos, cada um com a responsabilidade de conduzir uma paróquia foi mesmo um milagre! Com disposição e desapego viajaram do Paraná e São Paulo ao Mato Grosso, carregando consigo uma boa dose de loucura pelo Reino.

A Vila foi dividida em 5 áreas, cada uma contaria com a presença de um Padre e uma irmã xaveriana, outra surpresa muito linda foi contar com a presença de uma leiga missionária xaveriana, Ana, que com muita disposição e alegria completou a equipe missionária ficando na área do Pe. Renato, e assim deu-se inicio à semana missionária, após um árduo trabalho de formiguinha no qual visitaram-se as famílias preparando-as e motivando-as para frequentar e fazer experiência pessoal com Jesus Cristo; essas visitas duraram três meses.

Durante a semana missionaria realizaram-se as seguintes atividades: visita e benção das famílias, palestras para os casais com a benção dos mesmos, visita nas escolas da Vila, encontro de jovens e adolescentes, encontro com os homens de cada área, benção e envio das mães, encontro de formação das catequistas e ministros, encontro e benção das crianças, celebração penitencial, benção dos comércios e a reza do terço missionário. Dentro da semana aconteceu a Solenidade do Corpus Christi, assim saímos de cada área em procissão, concluindo com uma lindíssima Celebração Eucarística. Aproveitando o feriado saímos juntos à cachoeira e assim passamos a tarde toda curtindo esse inesquecível momento fraterno no esplendor dessa bela natureza.

A missão tinha também outro lado celebrativo importante, os 50 anos de vida missionária religiosa da Ir. Elisa Priante, a qual com os seus 82 anos ainda está atuante na missão de União do Norte. O fato dela ter cultivado a própria vocação no quotidiano, impactou e serviu de testemunho para as novas e velhas gerações, pois tudo é possível quando acreditamos que Deus está ao nosso lado e com a sua graça os nossos sonhos tornam-se realidade. O pe. Joao Bortoloci, durante a celebração, lembrou uma frase de Dom Helder Câmara para a Ir. Elisa na celebração dos 50 anos é a seguinte: É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca. E como é verdadeiro esse sentir.

Confirmamos ser gente de esperança, capaz de acreditar e gerar Vida aonde a sociedade só enxerga morte, capazes de semear alegria nos lugares aonde a tristeza impera, acreditar que o nosso protagonismo pode construir, pedrinha por pedrinha, a união e a identidade deste amado povo de União do Norte.

Partilhar com vocês essas maravilhas nos fortalece e nos impulsiona a sonhar com os pés no chão; é urgente criar na Paróquia a pastoral da visitação, criar novos grupos de reflexão nas áreas, criar laços afetivos e efetivos para uma nova Evangelização que atinja cada cristão de perto e de longe, preto ou branco, rico ou pobre, etc… enfim, viver a lógica da inclusão, porque o nosso DEUS veio para nos abraçar a todos sem distinção. Esse é o ideal que nos mantém nessa santa tensão.

Não podemos deixar de lado o sentir dos missionários leigos que fizeram acontecer a missão na Vila; eis alguns depoimentos:

“Que pena que o tempo foi muito curto, pois essa semana foi muito marcante, cada família teve o prazer de receber a visita de um Padre na sua casa. Para varias famílias esse fato foi uma grande surpresa. Ficamos muito felizes com os encontros, as missas, palestras e confissões. O que mais me surpreendeu foi a criação do grupo dos homens que se juntaram uma vez por semana para a reza do terço. Tenho certeza que com essa missão iremos fortalecer ainda mais o nosso povo católico” (Luciana da Conceição, Secretaria da Paróquia)

“As missões para mim foram um aprendizado a mais na minha vida, porque, com a graça de Deus e a força da Palavra, hoje posso dizer que tudo é possível, porque vi a presença de Deus em todas as partes, nas dificuldades e nas alegrias. Houve uma bonita experiência de partilha e conhecimentos humanos, onde a gente vive a realidade em palavras, gestos, risos e ação, partilhando a sua vida e a vida de cada família que vive a sua situação e os seus valores, costumes, diferenciados, defendendo a sua crença e lutando pelos seus objetivos, mas sempre prontos para receber a Palavra de Deus. E para nós, leigos e leigas que vivemos essa experiência, é o maior incentivo para podermos continuar essa caminhada” (Selma Maria da Silva, coordenadora da catequese).

“A presença dos quatro missionários Xaverianos foi uma grande benção para a nossa Vila. Durante três meses ficamos visitando as cinco áreas nas quais dividimos a Vila  procurando formar  novos multiplicadores leigos missionários das mesmas áreas. Através desse trabalho se mexeu com o povo. Andamos uma semana de casa em casa, abençoando-os e orando pelos doentes, com encontros que aconteceram na parte da noite. Devemos esta presença e atenção às Irmãs Xaverianas aqui presentes. Quando levei os 4 padres  para Sinop, comentaram da sua felicidade em ter vivido  esses 10 dias entre nós. Foi para nós e para eles uma grande experiência missionária” (Pe. Renato Scheifer, Pároco).

“Olhando minha longa caminhada dos 50 anos de vida missionária, só tenho que agradecer a Deus pela sua infinita Misericórdia, de estar sempre ao meu lado, nos momentos difíceis e nos momentos de alegria, sustentando a minha vocação e a minha fidelidade à missão. Agradeço a Deus e as minhas superioras que, apesar da minha idade, posso estar trabalhando na missão. Peco a Deus a   graça de ser fiel e trabalhar até o fim da minha vida pelo Reino de Deus e pelos irmãos que mais necessitam” (Ir. Elisa Priante, Missionaria de Maria Xaveriana).

"O bairro de Samambaia foi privilegiado por contar com a presença de Pe. Joao Bortoloci. Ele fez muita gente ir na Igreja através das visitas nas casas. Todas as casas que visitamos nos receberam muito bem durante esses 10 dias, embora não deu para visitar todas, porque esse bairro é um dos mais grandes da Vila. Porem daria para formar 4 grupos de reflexão. Foi muito bom aprender aquele jeito lindo que o Pe. João tinha para com o povo. O padre João celebrou varias missas nesses 10 dias, o povo participou muito bem e ficou com saudade desse grande e querido missionário” (Clemencia, coordenadora dos grupos de reflexão).

Felicitas J. Santiesteban, mmx

sexta-feira, 8 de junho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NA INDONÉSIA


REPÚBLICA DA INDONÉSIA

Capital: Jacarta
Superfície: 1.948.732 km2
População: 214,8 milhões de habitantes
Línguas: indonésio, línguas regionais
Expect. de vida: 67 anos
Renda per capita: 600 dólares por ano
Religiões: islamismo 54,7%; novas religiões 21,8%; cristianismo 13,1%; hinduismo 3,4%; outras 4,8%; sem religião 2,1%




Expulsos da China em 1951, os Xaverianos voltaram-se para o arquipélago das quatorze mil ilhas indonésias. Detiveram-se em Sumatra, uma das ilhas maiores. A paisagem era característica de clima equatorial, com montanhas, colinas e grandes arrozais cultivados como jardins, florestas milenárias e pântanos infestados de mosquitos, ou ilhas perdidas no mar, como as ilhas Mentawai.



A área confiada aos xaverianos, a Sumatra Central, tinha uma extensão de 133 mil quilômetros quadrados, com três milhões e meio de habitantes. Apenas dois mil eram cristãos: uma missão que começava praticamente do nada. Do ponto de vista religioso, a Indonésia era um feudo do Islã, ao qual pertencia numa proporção de 95% da população.

O empreendimento que exigiu maior empenho dos Xaverianos foi, provavelmente, a penetração nas Mentawai, uma fileira de ilhas a 100 quilômetros da costa ocidental de Sumatra, onde nenhum missionário havia posto os pés até então. Os Xaverianos encontraram cerca de 30 mil aborígenes. Hoje, naquelas ilhas florescem numerosas comunidades cristãs.



Nestes anos, a Indonésia está restituindo aos Xaverianos o que deles recebeu. São numerosos os jovens que, fascinados pela figura de Xavier, evangelizador das Molucas no século XVI, se alistaram nas fileiras dos Xaverianos.

Relato de Missão por Pe.  Piero Gheddo, Missionário do Pime

A Indonésia é um país fascinante, uma Ásia diferente de todas as outras, um mundo à parte. Lá, percebe-se a influência da Índia, da Malásia, da China, da Oceania e da modernização trazida pelo Ocidente cristãos. O povo é constituído por uma mistura tal de raças, línguas (250), religiões, culturas, costumes, que qualquer coisa que se diga da Indonésia se pode citar também o exato oposto. Por exemplo, diz-se que 89% do povo indonésio é constituído de muçulmanos, mas depois se descobre que os muçulmanos não são mais de 55%; muitos se declaram muçulmanos somente porque, uma vez atingida a maioridade de idade, em todos os documentos oficiais devem declarar a sua pertença a uma das cinco religiões reconhecidas pelo estado: islã, hinduísmo, budismo, protestantismo e catolicismo. Assim, os animistas tradicionais, para o estado, são muçulmanos. Em Java existe um grande movimento popular que pede ao governo reconhecer também as religiões originais da ilha mais habitada, o animismo que tem os seus próprios ritos e seus lugares de culto.

A quantidade de católicos existente na Indonésia está entre 6 e 10 milhões, com os protestantes, chega-se a 20 milhões o número de cristãos, sobre uma população de 240 milhões (dos quais 100 milhões concentram-se na Ilha de Java). A incerteza dos números é fácil de entender: os cristãos são acusados de "proselitismo", palavra mágica usada em qualquer circunstância.


  Também o socorro aos pobres ou em casos de emergência, são tentativas de "convergir" o povo islâmico. As vezes, são incendiadas as casas e capelas dos cristãos, vidros quebrados por pedras, etc. A Indonésia é vastíssima e tudo muda de uma ilha para outra. por exemplo, a ilha de Bali é inteiramente hindu, Flores, inteiramente católica. Visitei sobretudo a grande Sumatra, onde os missionários 


 Xaverianos trabalham desde 1951, admiráveis em seus esforços em meio a uma situação nada fácil: homens fortes, convictos, cordiais, realizadores, há quinze anos também ricos de vocações locais. Em Sumatra resulta claro que um dos principais problemas da Indonésia e o Islã, um Islã importado com os mercados árabes, que não penetrou em profundidade na cultura e


mentalidade local: de fato, o povo é tolerante, mas no último meio século aparece sempre mais extremista, intolerante. Dizem que o governo proibiu o ingresso aos estrangeiros que se estabilizam na Indonésia, principalmente para evitar a chegada de pregadores árabes, financiados pelos países do petróleo, portadores de um forte extremismo anti-ocidental, antiamericano, anti-cristãos.


Relato de Missão por Pe. Edenilson Turozi, foi Missionário Xaveriano na Indonésia

Logo nos primeiros meses da minha chegada à Indonésia, país do sudeste da Ásia, estive visitando o povo sulawesi, nas ilhas Mentawai. Ainda estava atordoado pelo novo ritmo de vida, pelo que os especialistas no assunto costumam chamar de inculturação. Uma semana de muita aprendizagem, de descobertas cotidianas e valiosas. Nesse período também pude ver e ouvir de perto o trabalho de muitos missionários que procuram ajudar, de alguma forma, os povos da floresta, sobretudo os indígenas.


As ilhas Mentawai localizam-se em Sumatra. Os xaverianos desenvolvem um trabalho missionário há mais de quarenta anos nesse arquipélago. Foi nas ilhas Mentawai, aliás, que a congregação investiu grande parte de seu contingente missionário.

A ilha que visitei foi a de Sikabaluan. Apesar de estar geograficamente perto de Sumatra, o barco levou dez horas para chegar lá. Logo que atracamos, eu e alguns companheiros fomos recebidos com cantos e uma hospitalidade de primeira. Pude ver uma ilha muito bonita e propícia para uma belíssima pesca debaixo d'água. Nas demais ilhas o surfe é o esporte mais praticado.


Numa das celebrações, fiquei encantado com um coral de jovens. Um detalhe: durante as orações eles usavam flores presas ao cabelo. Informaram-me que esse costume era típico da cultura local. Lembro-me também que o nome de um dos jovens que dirigia o coral era Samseri, cuja tradução aproximada seria: "o brilho da lua", porque ele nasceu numa noite enluarada.

Constatei que as atividades dos missionários demonstravam respeito pelos costumes culturais e um esforço para se adaptar às condições de vida do povo. Creio que os missionários tiveram uma postura um tanto diferente da política vigente do ex-ditador indonésio Suharto, que preferia impor um projeto de desenvolvimento a esses povos a procurar entender e respeitar sua cultura.


Pelo visto, os missionários que atuam em Sikabaluan aprenderam a língua local muito bem. Também tive a sorte de participar da ordenação do primeiro sacerdote diocesano do lugar.

Outra coisa inesquecível foi ter comido o sago (um tipo de farofa feita de frutos de uma 
árvore típica da região) e ter bebido água das chuvas que estavam represadas em reservatórios. Não dispondo de água encanada, bebe-se água das chuvas mesmo. O sago é um dos principais alimentos para os habitantes das ilhas Mentawai e os animais. Sago é a árvore da vida.


Um grupo de leigos aventurou-se a seguir o padre Pio Framarin no meio da floresta ao encontro de algumas comunidades. Num mundo em que, graças a Deus, existe a vontade de respeitar as diferenças, o indígena é visto como o outro que desvela sua face diante de nós. É um outro diferente de nós, mas que exige reconhecimento e respeito. A sua própria existência evoca em todos nós a responsabilidade para com a sua continuidade e a preservação de sua cultura.

Como diz o Evangelho, não se trata somente de procurar o que é melhor para mim mesmo, mas também o que é melhor para os outros. O melhor para todos é que a vida humana seja respeitada onde quer que seja.


Ser leigo na Igreja hoje

De um modo geral, as pessoas podem entender (ou achar) que todos aqueles que participam de uma maneira ou outra da Igreja ou de alguma comun...