Atuar no lugar do seu dia a dia com o mundo nas mãos para fazer do mundo uma só família no amor!

"Os cristãos leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, homens e mulheres do mundo no coração da Igreja!" (PUEBLA 789)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

DEUS CONOSCO

NATAL: É TEMPO DE SONHAR DE NOVO


       Nestes dias, à exemplo de Maria, tive a graça de ser conduzido pelo anjo Gabriel à cidade e diocese de São Gabriel da Cachoeira no Estado do Amazonas, divisa com a Colômbia e Venezuela. Fui visitar os familiares, a comunidade, o povo indígena do nosso seminarista Giomar. É uma realidade onde 90% da população é indígena e na sua maioria, cristã.  Foram dias de graças, de esperança, de novidades do amor de Deus.

        Partilho com vocês algumas fotos desta visita e pensamentos do Papa Francisco onde ele nos desafia a sermos uma Igreja  pobre à serviço dos mais pobres, uma Igreja próxima do povo, solidária, missionária.

 Num tempo de crise da juventude, sobretudo em relação à Igreja, o Papa

Francisco aparece na história e arrasta multidões de jovens e nos abre os olhos: “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo”. Não deixemos que nos roubem a esperança!” Mas digo também: Não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemos-nos todos portadores de esperança!


Num tempo marcado pelo individualismo, em muitos ambientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura da exclusão, a “cultura do descartável”. Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. o Papa nos diz: “Não deixemos que nos roubem a comunidade!”


Num tempo onde predomina o indiferentismo religioso e  uma Igreja voltada para si mesma, somos chamados a deixarmos-nos interpelar pela ação do Espírito Santo, buscando  as coisas fundamentais do Evangelho. O papa Francisco nos alerta: “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário!”


Num tempo em que o desânimo e a tristeza parece tomar conta de nossas vidas e de nossas comunidades pastorais, deixemos-nos surpreender pelo vinho novo do Evangelho e do amor que Deus sempre nos reserva. O papa Francisco nos exorta: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!”

Num tempo onde as pessoas experimentam o fascínio de tantos ídolos que se
colocam no lugar de Deus como a busca do ter, do poder, do sucesso e do prazer, lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica!  O papa  nos desafia: Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!”


Num tempo onde os nossos ouvidos se explodem com tantos ruídos e vozes: internet rápida, carros velozes, aviões rápidos, relatórios rápidos...  onde o nosso coração fica dividido diante de tantas propostas que chegam até nós, o papa Francisco nos ilumina: “Não deixemos que nos roubem o Evangelho!”


Num tempo onde as pessoas se fecham pelo medo da proximidade com o outro, da perda do sentido da solidariedade e do egocentrismo da fé, o papa Francisco nos encanta com seus gestos, palavras e sonhos: “Não deixemos que nos roubem a força missionária!”


Não podemos deixar passar em vão este momento de graça - Kairós que o Papa Francisco está despertando em nossa Igreja sob as luzes do Ano da Fé, da celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II e, sobretudo sob as luzes do Espírito Santo sobre a nossa história de hoje. Creio eu que ele está mexendo com cada um de nós, de maneira especial com a nossa missionariedade, nossa opção pelos pobres, nosso estilo de acolhimento e proximidade ao povo. Nosso modo de viver precisa oferecer um significado para o mundo de hoje, de maneira especial, ser um convite vocacional para os jovens.

DESEJO À VOCÊ, SUA FAMÍLIA E COMUNIDADE 
UM FELIZ NATAL E 
UM ANO NOVO PLENO DE VIDA E ESPERANÇA.


joaobortoloci@bol.com.br

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

São Francisco Xavier


São Francisco Xavier é o maior missionário de todos os tempos. Sua vida é um exemplo de desprendimento, entrega, devoção e pleno amor à Deus, pois se doou a serviço do próximo abandonando riqueza e poder para viver com simplicidade. Não hesitou em fazer o nome de Jesus ser proclamado em diversas terras onde o cristianismo ainda não havia chegado.
Um homem de fé e destemido que entregou a sua vida para evangelizar e que, a caminho de realizar seu maior sonho, que era evangelizar na China, foi para junto de Deus aos 46 anos.

Seu exemplo missionário tocou no então bispo de Parma Dom Guido Maria Conforti, que ao ler a biografia de São Francisco Xavier, abraçou o sonho de Xavier em ir à China evangelizar e que após muitas dificuldades fundou a Congregação Missionária Xaveriana em 1895 e possibilitou que o sonho de São Francisco se tornasse realidade, estando presente hoje em todos os continentes do nosso planeta. Há pouco mais de dois anos, Dom Guido foi declarado Santo pela Igreja.
São Francisco Xavier é para ser imitado por todos nós. Pois todos devemos buscar tornar Jesus conhecido e amado e mais que isso, contribuir para que haja respeito entre os homens, seja na família, no trabalho, na comunidade, na escola, enfim, em todos os ambientes em que atuamos. Afinal, só existe um caminho para se amar a Deus verdadeiramente: é amar ao próximo como a nós mesmos.

Hoje é o seu dia, reze pedindo sua intercessão pelas vocações leigas e religiosas, por todos nós leigos e pelos queridos padres e seminaristas xaverianos. Ele que declarou ter os braços cansados de tanto batizar e seguiu sua missão, seja exemplo para que mesmo cansados e desanimados encontremos em Cristo forças para seguir, evangelizar e denunciar.
 

Memória da Roça

Artigo do nosso amigo leigo João Diniz Sobrinho, de Ourinhos/SP

 Escrever sobre este assunto é recordar o passado de muita gente que está
morando na cidade. Afinal, a origem do povo brasileiro é rural. Por falta de uma
política agrícola e com o avanço dos grandes ruralistas a roça se esvaziou tanto que
atualmente são poucas as pequenas propriedades que sobrevivem em algumas
regiões. Sabe-se que por natureza, o homem do campo, sem estresse, tem uma
sabedoria popular, pois desde o amanhecer ao por do sol, o contato com a natureza
não tem preço. Na roça, logo pela manhã, ouve-se o cantar dos pássaros, do galo, o
mugir das vacas e dos bezerros no curral. Antes mesmo do sol nascer o fogão de lenha
é aceso e em seguida o café com aquele aroma que somente o homem do campo sabe
apreciar. Ainda pela manhã, tratar dos porcos, das galinhas era uma rotina e milho no
paiol não faltava.
 O período que antecede o Natal, era esperado de uma forma mágica sem aquela
preocupação com o consumo exagerado. Logo na primeira semana de dezembro as
famílias procuravam montar o tradicional presépio do menino Jesus. Assim como, as
festas do padroeiro na capela do bairro rural com a tradicional procissão, as batidas do
sino, rojões, e encerrava com o leilão de prendas.
 Outro registro que ficou na memória são as quatro estações do ano vivenciadas
pelo homem do campo, principalmente as estações; outono e verão, muita fruta,
jogar bola, cavalgar, caçar de estilingue, pescar, brincar de balanço na árvore e brincar
no rio. Isso sem falar dos dias chuvosos na roça, sempre com novidades; bolinhos
de chuva, estourar pipoca, jogar baralho, etc. Durante o anoitecer, o que chamava
atenção do homem do campo eram as estrelas e a lua cheia. As estrelas incontáveis
que brilham no céu, o cruzeiro do sul e a estrela Dalva eram observados por todos. Nas
noites de lua cheia sentados em uma cadeira ou banco de madeira, enquanto contava
causos, a família admirava por um bom tempo a beleza da lua. Evidentemente,
somente quem passa por essa experiência sabe o quanto é mágico a vida no campo, o
contato direto com a natureza e que nunca se apaga da memória.
 Em contra partida, na cidade, ouve-se também cantorias de pássaros, porém
tristes, afinal o mundo deles é o da liberdade. Já o homem urbano que reside um
próximo do outro, porém distante do seu semelhante, o que se vê logo pela manhã é
uma multidão apressada e correndo contra o tempo para chegar ao trabalho. Quando
chega a noite, não contempla a lua cheia e nem as estrelas que brilham no céu,
está sempre preso em uma tela, ora da TV, ora do computador. Um homem urbano
estressado, sem memória e sem história pra contar.

Ourinhos, Dezembro de 2013
João Diniz Sobrinho