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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

TESTEMUNHO DO JOVEM MATIAS


“O nosso primeiro serviço ao Reino de Deus é o anuncio de Cristo e da sua mensagem, com a palavra e com a vida” [...] (Mc 2,2).

Ser missionário é responder ao chamado que Cristo nos  faz constantemente de ir e anunciar
 o Evangelho a todos os povos.  Nossa  missão dentro da Igreja começa quando, pelo batismo, recebemos o chamado a sermos: “sacerdote, profeta e rei”, no serviço ao Reino de Deus. 

Sacerdote porque participamos do sacerdócio de Cristo, tornando-nos “outro Cristo”. Ser cristão é tornar-se profeta, porque devemos anunciar o plano de Deus e denunciar o que a ele se opõe. Como rei, nós servimos aos irmãos e à comunidade, e somos também herdeiros do Reino de Deus. E por esta graça nos tornamos membros vivos da Igreja.

Não sei dizer ao certo se alguém influenciou diretamente a minha vocação. O que lembro é que ainda criança, com pouco mais de 6 anos, dizia que queria ser padre. Fui coroinha até a adolescência, e desde daquela época meu desejo vocacional só aumentou, e fui aprendendo sobre a palavra de Deus e sentia cada vez mais o amor de Cristo em meu coração. Fiz encontros vocacionais, participei de pastorais e movimentos jovens, e tudo contribui para dar o meu sim a Deus. Mas antes de caminhar nesta direção vivi como qualquer outro jovem, sempre em busca de sonhos e de realizações, trabalhei, namorei, estudei numa universidade, e sempre me questionava se estava no lugar certo, se realmente era esta a minha “missão”, pois o coração era dividido entre dois “amores”, viver como leigo, ou seguir a vocação sacerdotal.

Com o tempo, em um momento da minha vida em que tudo caminhava muito bem, em eu que poderia fazer tanta coisa, pois tinha um bom emprego, um bom salário, poderia ter “luxos” e vivenciar “prazeres”, ou encontrar a mãe dos meus futuros filhos, decidi parar e repensar meus objetivos, e disse o meu sim para Deus. Respondi sim a vocação religiosa e missionária, junto aos Missionários Xaverianos, e estou seguindo o caminho formativo rumo ao sacerdócio missionário.
A missão nos chama e a Igreja necessita de pessoas que abracem a causa de anunciar a Boa Nova. Precisa de jovens que com a sua juventude, agarrem o propósito de levar Jesus a todos os povos. Vivemos em tempos onde é difícil seguir sem ser tentado pelo mundo, mas como nos diz São Paulo: ''vivemos no mundo, mas não pertencemos a ele''. A única certeza que temos é que: estamos aqui de passagem,  e se faz necessário querermos e almejarmos o céu, a glória eterna.

Como consagrado sigo o propósito de proclamar a todos que Jesus Cristo é o nosso Salvador. O mundo está justamente nos mostrando o contrário, vive como se Deus não existisse, e tem feito de tudo para que as pessoas se afastem Dele. Prega-se que não é possível viver a santidade, que é coisa do passado ir e seguir os ensinamentos da Igreja, mas a força do jovem é grande e mostra a todos que é maravilhoso ser cristão, ser de Deus, buscar a Deus e torná-lo conhecido por todos.

Sou feliz em seguir a vocação religiosa, buscando servir o Reino de Deus. Vivo a missão de batizado e consagrado. Como jovem, não é fácil viver como consagrado no mundo de hoje, mas a força vem D’aquele que primeiro nos amou. Portanto, ser religioso, religiosa ou vocacionado, é responder ao grande amor de Deus. Quando decidimos pela vocação, não perdemos nada na vida, mas nos é acrescentado “bens e amores” ainda maiores que, de outra forma não poderíamos conseguir: os bens recebidos são as experiências que podemos fazer como missionários pelo mundo inteiro, aprendendo da vida e da cultura de tantos povos, e os amores são: carinho, afeto e gratidão que recebemos ao sermos acolhidos por novos país, mães e irmãos que Deus vai nos apresentando no dia-a-dia da missão.

                           Atenciosamente,

                                                              Matias Filho

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MISSÃO XAVERIANA NO BANGLADESH



O Bangladesh é um país asiático rodeado quase por inteiro pela Índia, exceto a sudeste, onde tem uma pequena fronteira terrestre com Myanmar, e ao Sul que é banhado pelo Baia de Bengole.

Entre 1947 a 1971, a região que hoje é Bangladesh era chamada  Paquistão Oriental. Depois da guerra civil de nove meses (1971) entre o Paquistão Ocidental(atual Paquistão) e o Paquistão Oriental, ocorreu a separação e a parte oriental conquistou sua independência passando a se chamar Bangladesh.
Como a região, hoje denominada Bangladesh era um Estado da Índia, dos quatro lados,  três fazem fronteiras com a mesma.. Muitos dos aspectos físicos e culturais de Bangladesh são partilhados com a região denominada  Bengala Ocidental o qual é  um Estado da Índia e do qual o atual Bangladesh teve origem.. O nome Bangladesh significa "nação de Bengala, ou povo que fala a língua bengala ou bengali. Seu território ocupa uma área de  56.977 km (quadrados) um pouco maior que o Estado de São Paulo, sustenta uma população de 150 milhões de habitantes  e sua capital  é Dhaka com mais de 12 milhões de habilitantes.

Entre as grandes riquezas naturais do Bangladesh destaca-se a grande quantidade de rios que cortam todo o seu território, e são os principais canais de comunicação, irrigação e fonte de alimento. 

O Bangladesh está dividido em 6 Estados (em bengali: bibhag) e estes em 64 províncias (zila). Cada província foi batizada com o nome de sua respectiva capital: Entre elas as mais importantes são: Barisal, Chittagong, Dhaka, Khulna, Rajshahi, e Sylhet. Bangladesh é uma democracia parlamentarista, chefiado por um primeiro-ministro. 

O Parlamento conta com 330 cadeiras eleitas direta ou indiretamente representando as províncias.. A agricultura é a principal atividade econômica do Bangladesh. O arroz e peixe são os principais alimentos do povo de Bangladesh. Além do arroz que é cultivado três vezes no ano, da abundancia de peixes, cultiva-se a juta,  (planta usada para fazer estopa e barbante) o chá, que é a principal bebida e uma diversidade de legumes, frutas e verduras o que complementam a economia. A principal unidade de moeda é a taka (um real equivale a aproximadamente a 30 takas).

Dos 150 milhões de habitantes, apenas 317.466 mil são Católicos. A maioria da população,cerca de 85%, são muçulmanos, sendo o restante composta de hindus,  budistas,  cristãos não católicos e inúmeros povos tribais com religião própria. A língua nacional, bengali, é falada por mais de 98 % da população. Bengalis constituem o maior grupo étnico, e as minorias(2%) incluem quarenta e  cinco tribos diferentes. Entre as principais tribos destaca-se: Santal, Chakma, Garo (Mandi) e  o Mogh.. O Islã ou islamismo é a religião oficial do Estado,. A história e cultura do Bangladesh remonta a mais   de 2500 anos. Como conseqüências das diferentes religiões e diversidade étnica  a cultura do Bangladesh conta com uma riquíssima diversidade cultural e artística . 

A evangelização começou no século XVI pelos padres jesuítas, dominicanos e agostinianos. Depois chegaram a Congregação da Santa Cruz, do  PIME e dos xaverianos  além de outras duas congregações de irmãs para dar continuidade à evangelização. Atualmente o  Bangladesh está dividido em sete dioceses. Os Missionários Xaverianos  chegaram em Bangladesh em 1952.   estão trabalhando nas dioceses de Khulna, (fundada pelos Xaverianos), Dhaka, Mymensingh, e Dinajpur.  A diocese de Khulna fica a sudoeste do Bangladesh. Segundo as estatísticas oficiais, o número de católicos da diocese é de cerca 33,500(mil) pessoas. Os católicos das onze paróquias da diocese, como os católicos brasileiros, são pessoas de bastante fé e muita devoção, especialmente com relação à Nossa Senhora( "Ma Maria" como é chamada)

A missão dos Xaverianos no Bangladesh inclui a animação das comunidades nas paróquias, atividade de inculturação da mensagem cristã, diálogo inter-religioso,  formação acadêmica e técnico-profissional de jovens em escola técnica, a atenção às minorias étnicas, crianças de rua e com  doentes em hospitais.. Os Xaverianos buscam testemunhar os valores do Cristianismo com a fé no Deus de Jesus, a esperança na vida eterna e o Amor Misericordioso do Deus 'Abba', vivendo o valor da fraternidade, partilhando o seu tempo, sua vida  como Missionários.

Embora a religião oficial do Bangladesh é o Islamismo, os cristãos tem liberdade de praticar sua fé e sua presença tem sido de profundo dialogo e compromisso no projeto de fazer do mundo uma só família como sonhava  nosso fundador São Guido Maria Conforti ". 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NOS CAMARÕES - CHADE


REPÚBLICA DOS CAMARÕES


Camarões é um país africano, limitado a oeste e a norte pela Nigéria, a leste pelo Chade e pela República Centro-Africana, a sul pelo Congo, pelo Gabão e por Rio Muni (Guiné Equatorial) e a oeste pelo Golfo da Guiné, através do qual faz fronteira com a Guiné Equatorial, via a ilha de Bioko. A capital é Yaoundé.
Os navegadores portugueses - notadamente Fernão do Pó - chegaram à costa dos Camarões em 1472. Notaram a abundância de camarões (Lepidophthalmus turneranus) nos mangues do rio Wouri e o denominaram Rio dos Camarões, de onde deriva o nome actual do país.



Apesar da chegada dos portugueses à costa dos Camarões no século XV, a malária impediu os europeus de se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao fim da década de 1870, quando grandes quantidades de quinino se tornaram disponíveis. No início, os europeus estavam sobretudo interessados em comerciar, o que faziam na zona costeira, e adquirir escravos. O comércio de escravos foi reprimido a meio do século XIX, ainda na parte final desse século instalaram-se nos Camarões missões cristãs, as quais continuam a desempenhar um papel na vida do país.

No dia 5 de julho de 1884 a totalidade do território camaronês e alguns territórios vizinhos tornaram-se a colónia alemã de Kamerun, com a capital situada primeiramente em Buéa e depois em Yaoundé. Após o final da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido e a França dividiram essa colônia, cabendo à França a maior área, sendo as zonas mais distantes transferidas para o domínio de outras colônias francesas, e governando o restante a partir de Yaoundé.

Os Camarões franceses alcançaram a independência em 1960 sob a denominação de República dos Camarões, no território conhecido como Camarões do Norte e Camarões do Sul. No ano seguinte, a maioria muçulmana do norte, que dominava dois terços dos Camarões britânicos, votou pela adesão à Nigéria, enquanto que no sul a maioria cristã, votou de forma que o outro terço dos Camarões britânicos aderisse à República dos Camarões, formando a República Federal dos Camarões. Permanece no entanto em aberto o conflito da Ambazónia (Camarões do Sul).


MISSÃO XAVERIANA NOS CAMARÕES-CHADE

Adriano Cunha Lima, sx


Queridos irmãos e irmãs é com alegria que partilho com vocês um pouquinho da vida dos xaverianos nestas terras africanas. Fazem somente três anos que estou na capital dos Camarões, Yaoundé, e durante dois meses  tive a grande oportunidade de conhecer o Chade. Assim sendo eu lhes preparo para uma partilha pessoal, resultado das minhas experiências. Um outro teria a liberdade de ver uma ou outra coisa diferentemente.

Às vezes pensamos que África é um país. Ora, a África é um continente como a América. E os Camarões é diferente do Chade como o Brasil é diferente do Paraguai. Neste grande e diverso continente africano os xaverianos estão em 6 países : Congo (RDC), Burundi, Serra Leoa, Moçambique, Camarões et Chade. Se os xaverianos no Brasil dividiram a missão em duas regiões, nós aqui juntamos dois países para formar uma única região : os Camarões e o Chade (aqui diríamos le Cameroun et le Tchad). Falar destes dois países tão diferentes em poucas linhas me parece difícil. Prefiro então, deixar o Chade para uma proxima vez.

Os Camarões tem uma população de 19, 4 milhões e uma superfície de 475 440 Km2 (para imaginar, nós podemos pensar no Estado de Minas Gerais, tanto quanto ao tamanho que quanto à população). Este país conta com 260 grupos étnicos, cada um com sua língua própria. Esta variedade da população acompanha a grande diversidade natural deste país que lhe dá o direito de ser conhecido como a « África em miniatura ». O francês e o inglês são as duas línguas oficiais. No dia 1° de janeiro de 2010 nós celebramos 50 anos de sua independência da França. O presidente atual é Paul Biya, cargo que ele ocupa depois de 1982. A democracia me parece extremamente frágil. Os cristãos formam mais de 50% da população, os mulçumanos 24,8%, o restante esta ligado às religiões tradicionais. A esperança média de vida é de 51, 7 anos.

Os xaverianos chegaram nos Camarões em 1986. Hoje em dia estamos presentes em 6 comunidades em 4 cidades diferentes. Uma paróquia e a comunidade de filosofia em Bafoussam ; uma paróquia e um centro missionário na cidade de Douala (capital econômica do país) ; uma paróquia e um centro cultural em Yagoua (extremo norte do país) ; e uma paróquia e nossa comunidade de teologia na periferia de Yaoundé (capital do país). Todas as nossas missões estão em zonas onde se fala o francês. É aqui em Yaoundé também a sede da revista do Centro de Estudos Africanos (Centre d’Études Africaines) que começa a produzir seus primeiros números.

Nossos trabalhos nestas comunidades são diferentes de acordo com o meio e as orientações das dioceses. Um grande ponto em comum das nossas paróquias é a existência das comunidades eclesiais de base, chamadas aqui de comunidades eclesiais vivantes. Em Douala a animação missionaria começa a dar frutos. O primeiro é a existência de um grupo de amigos dos missionários xaverianos que já caminha bem. Em Yaoundé um outro « GAMIX » parece querer surgir. Desta terra ja partiram missionários xaverianos para o mundo : Colômbia, México, Itália, Filipinas, Burundi, Chade e aqui mesmo nos Camarões. Sem falar que no próximo ano escolar nós teremos representantes dos Camarões nas nossas quatro teologias internacionais. Mesmo querendo deixar o Chade para uma próxima vez é importante dizer que o primeiro xaveriano chadiano estará à partir de outubro deste ano começando o ultimo ano dos estudos de teologia aqui em Yaoundé. Que Deus lhe dê perseverança !

A minha grande alegria em estar aqui foi a possibilidade de conhecer tanta gente boa. É bonito descobrir que temos irmãos tão distantes da gente e que formam uma só família ao lado do Pai. Encontrei um povo ativo na vida da Igreja, que gosta de se formar. Descobri que a África que imaginamos no Brasil não corresponde nem à 10% daquilo que vemos aqui. E aquelas imagens feias que vemos na televisão se contrastam com o sorriso de um povo que gosta da vida. Os jovens são muito disciplinados para os estudos. Existe uma grande variedade na comida e graças à boa acolhida das família eu pude provar uma grande parte. Se de um lado as cores e os tambores nos fazem ver a África tradicional ainda presente, os celulares, gravatas e computadores nos mostram sua proximidade com o mundo globalizado.

Não quero dizer com isso que a vida seja fácil. Este país tem problemas sérios à resolver. Uma grande melhora no sistema de saúde seria necessário. Aqui tudo se paga, resultado… nem todos tem o verdadeiro direito à saúde. As condições de saneamento não são das melhores. Água e eletricidade faltam sempre e são caras… 
Coisas que muitos brasileiros conhecem perfeitamente. Talvez o grande problema é a falta de vontade política que abre um grande espaço para a corrupção que se estende à todos os setores da sociedade. Penso ainda mais nos jovens que, como os nossos do Brasil, procuram intensamente uma vida melhor. Muitos aqui com mestrados e doutorados estão nas filas de emprego.




Estes problemas não são acolhidos como uma fatalidade, mas como desafios que devemos enfrentar. Como resultado do último sínodo sobre a África o papa Bento XVI pediu que a Igreja, aqui presente, seja sinal de reconciliação, de justiça e de paz. No seu documento (África e Munus) o papa diz que a África « é o pulmão espiritual por uma humanidade em crise de fé e de esperança ». 




Estudando a teologia aqui acredito que os cristãos africanos tem muito à dar para nossa Igreja universal. E nossos cristãos do Brasil poderiam partilhar muito mais da nossa fé, também tão viva, com nossos irmãos do outro lado do Oceano Atlântico. Já escrevi bastante, foi só um tira gosto. Fica com vocês um grande e forte abraço dos xaverianos aqui dos Camarões, principalmente dos três brasileiros que aqui estão: Pe Herondi, Rafael e eu.



Adriano Cunha Lima, sx

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NO MATO GROSSO



“Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só,
mas sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Seixas).

Com o coração agradecido a Deus que abençoa, acompanha e ilumina a missão, gostaríamos partilhar com todos vocês, amigos e familiares, as grandes maravilhas que Deus fez na Paróquia de São Jose em União do Norte, durante a missão que foi realizada em 3 meses, concluindo com uma semana intensa de atividades missionarias. Vamos contar como aconteceu isso.


Um sonho foi construído a partir da assembleia diocesana em Sinop o ano passado, baseado nas diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil 2011-2015, nas quais se coloca a urgência da Igreja de ficar em estado permanente de Missão: “Facilidades geram mais acomodação do que crescimento. Igreja acomodada se torna medíocre, morna, sem gosto. Surpreendemo-nos quando sabemos que alguém trocou de religião e fica dizendo que lá encontrou Jesus. E nos perguntamos: como é isso? Será que Jesus não estava aqui o tempo todo, na Palavra, na Eucaristia, na missão?... Mas fica evidente que mesmo que não tenha faltado a presença de Jesus, algo importante ficou ausente” (Estudos CNBB 97, n. 23).


Tudo isso mexeu com a gente e logo foi dialogado primeiramente com o Pároco Pe. Renato e depois com algumas lideranças da Paróquia, perguntando-lhes se isso poderia dar  certo na Vila, pois tínhamos percebido um pouco de indiferença religiosa e queríamos mexer, incomodar, profetizar que: o impossível torna-se possível quando contamos com a cumplicidade de Deus em nossas vidas, mas sobre tudo para reavivar o zelo missionário do ser cristão.

Contamos com um povo muito querido, porem necessitado de motivação, utopia, e sonhos coletivos onde cada um coloca o seu talento, a sua riqueza o seu amor à Igreja. O primeiro passo foi convocar os leigos e, graças a Deus, encontramos gente que acreditou num jeito novo de ser Igreja, contando com a colaboração de 35 leigos que foram o fermento que provocou a missão na Vila.

O segundo passo foi contatar os Missionários Xaverianos, os quais  responderam positivamente ao convite. Ficamos tão agradecidos a Deus pelo sim desses, pois juntar quatro padres xaverianos, cada um com a responsabilidade de conduzir uma paróquia foi mesmo um milagre! Com disposição e desapego viajaram do Paraná e São Paulo ao Mato Grosso, carregando consigo uma boa dose de loucura pelo Reino.

A Vila foi dividida em 5 áreas, cada uma contaria com a presença de um Padre e uma irmã xaveriana, outra surpresa muito linda foi contar com a presença de uma leiga missionária xaveriana, Ana, que com muita disposição e alegria completou a equipe missionária ficando na área do Pe. Renato, e assim deu-se inicio à semana missionária, após um árduo trabalho de formiguinha no qual visitaram-se as famílias preparando-as e motivando-as para frequentar e fazer experiência pessoal com Jesus Cristo; essas visitas duraram três meses.

Durante a semana missionaria realizaram-se as seguintes atividades: visita e benção das famílias, palestras para os casais com a benção dos mesmos, visita nas escolas da Vila, encontro de jovens e adolescentes, encontro com os homens de cada área, benção e envio das mães, encontro de formação das catequistas e ministros, encontro e benção das crianças, celebração penitencial, benção dos comércios e a reza do terço missionário. Dentro da semana aconteceu a Solenidade do Corpus Christi, assim saímos de cada área em procissão, concluindo com uma lindíssima Celebração Eucarística. Aproveitando o feriado saímos juntos à cachoeira e assim passamos a tarde toda curtindo esse inesquecível momento fraterno no esplendor dessa bela natureza.

A missão tinha também outro lado celebrativo importante, os 50 anos de vida missionária religiosa da Ir. Elisa Priante, a qual com os seus 82 anos ainda está atuante na missão de União do Norte. O fato dela ter cultivado a própria vocação no quotidiano, impactou e serviu de testemunho para as novas e velhas gerações, pois tudo é possível quando acreditamos que Deus está ao nosso lado e com a sua graça os nossos sonhos tornam-se realidade. O pe. Joao Bortoloci, durante a celebração, lembrou uma frase de Dom Helder Câmara para a Ir. Elisa na celebração dos 50 anos é a seguinte: É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca. E como é verdadeiro esse sentir.

Confirmamos ser gente de esperança, capaz de acreditar e gerar Vida aonde a sociedade só enxerga morte, capazes de semear alegria nos lugares aonde a tristeza impera, acreditar que o nosso protagonismo pode construir, pedrinha por pedrinha, a união e a identidade deste amado povo de União do Norte.

Partilhar com vocês essas maravilhas nos fortalece e nos impulsiona a sonhar com os pés no chão; é urgente criar na Paróquia a pastoral da visitação, criar novos grupos de reflexão nas áreas, criar laços afetivos e efetivos para uma nova Evangelização que atinja cada cristão de perto e de longe, preto ou branco, rico ou pobre, etc… enfim, viver a lógica da inclusão, porque o nosso DEUS veio para nos abraçar a todos sem distinção. Esse é o ideal que nos mantém nessa santa tensão.

Não podemos deixar de lado o sentir dos missionários leigos que fizeram acontecer a missão na Vila; eis alguns depoimentos:

“Que pena que o tempo foi muito curto, pois essa semana foi muito marcante, cada família teve o prazer de receber a visita de um Padre na sua casa. Para varias famílias esse fato foi uma grande surpresa. Ficamos muito felizes com os encontros, as missas, palestras e confissões. O que mais me surpreendeu foi a criação do grupo dos homens que se juntaram uma vez por semana para a reza do terço. Tenho certeza que com essa missão iremos fortalecer ainda mais o nosso povo católico” (Luciana da Conceição, Secretaria da Paróquia)

“As missões para mim foram um aprendizado a mais na minha vida, porque, com a graça de Deus e a força da Palavra, hoje posso dizer que tudo é possível, porque vi a presença de Deus em todas as partes, nas dificuldades e nas alegrias. Houve uma bonita experiência de partilha e conhecimentos humanos, onde a gente vive a realidade em palavras, gestos, risos e ação, partilhando a sua vida e a vida de cada família que vive a sua situação e os seus valores, costumes, diferenciados, defendendo a sua crença e lutando pelos seus objetivos, mas sempre prontos para receber a Palavra de Deus. E para nós, leigos e leigas que vivemos essa experiência, é o maior incentivo para podermos continuar essa caminhada” (Selma Maria da Silva, coordenadora da catequese).

“A presença dos quatro missionários Xaverianos foi uma grande benção para a nossa Vila. Durante três meses ficamos visitando as cinco áreas nas quais dividimos a Vila  procurando formar  novos multiplicadores leigos missionários das mesmas áreas. Através desse trabalho se mexeu com o povo. Andamos uma semana de casa em casa, abençoando-os e orando pelos doentes, com encontros que aconteceram na parte da noite. Devemos esta presença e atenção às Irmãs Xaverianas aqui presentes. Quando levei os 4 padres  para Sinop, comentaram da sua felicidade em ter vivido  esses 10 dias entre nós. Foi para nós e para eles uma grande experiência missionária” (Pe. Renato Scheifer, Pároco).

“Olhando minha longa caminhada dos 50 anos de vida missionária, só tenho que agradecer a Deus pela sua infinita Misericórdia, de estar sempre ao meu lado, nos momentos difíceis e nos momentos de alegria, sustentando a minha vocação e a minha fidelidade à missão. Agradeço a Deus e as minhas superioras que, apesar da minha idade, posso estar trabalhando na missão. Peco a Deus a   graça de ser fiel e trabalhar até o fim da minha vida pelo Reino de Deus e pelos irmãos que mais necessitam” (Ir. Elisa Priante, Missionaria de Maria Xaveriana).

"O bairro de Samambaia foi privilegiado por contar com a presença de Pe. Joao Bortoloci. Ele fez muita gente ir na Igreja através das visitas nas casas. Todas as casas que visitamos nos receberam muito bem durante esses 10 dias, embora não deu para visitar todas, porque esse bairro é um dos mais grandes da Vila. Porem daria para formar 4 grupos de reflexão. Foi muito bom aprender aquele jeito lindo que o Pe. João tinha para com o povo. O padre João celebrou varias missas nesses 10 dias, o povo participou muito bem e ficou com saudade desse grande e querido missionário” (Clemencia, coordenadora dos grupos de reflexão).

Felicitas J. Santiesteban, mmx

sexta-feira, 8 de junho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NA INDONÉSIA


REPÚBLICA DA INDONÉSIA

Capital: Jacarta
Superfície: 1.948.732 km2
População: 214,8 milhões de habitantes
Línguas: indonésio, línguas regionais
Expect. de vida: 67 anos
Renda per capita: 600 dólares por ano
Religiões: islamismo 54,7%; novas religiões 21,8%; cristianismo 13,1%; hinduismo 3,4%; outras 4,8%; sem religião 2,1%




Expulsos da China em 1951, os Xaverianos voltaram-se para o arquipélago das quatorze mil ilhas indonésias. Detiveram-se em Sumatra, uma das ilhas maiores. A paisagem era característica de clima equatorial, com montanhas, colinas e grandes arrozais cultivados como jardins, florestas milenárias e pântanos infestados de mosquitos, ou ilhas perdidas no mar, como as ilhas Mentawai.



A área confiada aos xaverianos, a Sumatra Central, tinha uma extensão de 133 mil quilômetros quadrados, com três milhões e meio de habitantes. Apenas dois mil eram cristãos: uma missão que começava praticamente do nada. Do ponto de vista religioso, a Indonésia era um feudo do Islã, ao qual pertencia numa proporção de 95% da população.

O empreendimento que exigiu maior empenho dos Xaverianos foi, provavelmente, a penetração nas Mentawai, uma fileira de ilhas a 100 quilômetros da costa ocidental de Sumatra, onde nenhum missionário havia posto os pés até então. Os Xaverianos encontraram cerca de 30 mil aborígenes. Hoje, naquelas ilhas florescem numerosas comunidades cristãs.



Nestes anos, a Indonésia está restituindo aos Xaverianos o que deles recebeu. São numerosos os jovens que, fascinados pela figura de Xavier, evangelizador das Molucas no século XVI, se alistaram nas fileiras dos Xaverianos.

Relato de Missão por Pe.  Piero Gheddo, Missionário do Pime

A Indonésia é um país fascinante, uma Ásia diferente de todas as outras, um mundo à parte. Lá, percebe-se a influência da Índia, da Malásia, da China, da Oceania e da modernização trazida pelo Ocidente cristãos. O povo é constituído por uma mistura tal de raças, línguas (250), religiões, culturas, costumes, que qualquer coisa que se diga da Indonésia se pode citar também o exato oposto. Por exemplo, diz-se que 89% do povo indonésio é constituído de muçulmanos, mas depois se descobre que os muçulmanos não são mais de 55%; muitos se declaram muçulmanos somente porque, uma vez atingida a maioridade de idade, em todos os documentos oficiais devem declarar a sua pertença a uma das cinco religiões reconhecidas pelo estado: islã, hinduísmo, budismo, protestantismo e catolicismo. Assim, os animistas tradicionais, para o estado, são muçulmanos. Em Java existe um grande movimento popular que pede ao governo reconhecer também as religiões originais da ilha mais habitada, o animismo que tem os seus próprios ritos e seus lugares de culto.

A quantidade de católicos existente na Indonésia está entre 6 e 10 milhões, com os protestantes, chega-se a 20 milhões o número de cristãos, sobre uma população de 240 milhões (dos quais 100 milhões concentram-se na Ilha de Java). A incerteza dos números é fácil de entender: os cristãos são acusados de "proselitismo", palavra mágica usada em qualquer circunstância.


  Também o socorro aos pobres ou em casos de emergência, são tentativas de "convergir" o povo islâmico. As vezes, são incendiadas as casas e capelas dos cristãos, vidros quebrados por pedras, etc. A Indonésia é vastíssima e tudo muda de uma ilha para outra. por exemplo, a ilha de Bali é inteiramente hindu, Flores, inteiramente católica. Visitei sobretudo a grande Sumatra, onde os missionários 


 Xaverianos trabalham desde 1951, admiráveis em seus esforços em meio a uma situação nada fácil: homens fortes, convictos, cordiais, realizadores, há quinze anos também ricos de vocações locais. Em Sumatra resulta claro que um dos principais problemas da Indonésia e o Islã, um Islã importado com os mercados árabes, que não penetrou em profundidade na cultura e


mentalidade local: de fato, o povo é tolerante, mas no último meio século aparece sempre mais extremista, intolerante. Dizem que o governo proibiu o ingresso aos estrangeiros que se estabilizam na Indonésia, principalmente para evitar a chegada de pregadores árabes, financiados pelos países do petróleo, portadores de um forte extremismo anti-ocidental, antiamericano, anti-cristãos.


Relato de Missão por Pe. Edenilson Turozi, foi Missionário Xaveriano na Indonésia

Logo nos primeiros meses da minha chegada à Indonésia, país do sudeste da Ásia, estive visitando o povo sulawesi, nas ilhas Mentawai. Ainda estava atordoado pelo novo ritmo de vida, pelo que os especialistas no assunto costumam chamar de inculturação. Uma semana de muita aprendizagem, de descobertas cotidianas e valiosas. Nesse período também pude ver e ouvir de perto o trabalho de muitos missionários que procuram ajudar, de alguma forma, os povos da floresta, sobretudo os indígenas.


As ilhas Mentawai localizam-se em Sumatra. Os xaverianos desenvolvem um trabalho missionário há mais de quarenta anos nesse arquipélago. Foi nas ilhas Mentawai, aliás, que a congregação investiu grande parte de seu contingente missionário.

A ilha que visitei foi a de Sikabaluan. Apesar de estar geograficamente perto de Sumatra, o barco levou dez horas para chegar lá. Logo que atracamos, eu e alguns companheiros fomos recebidos com cantos e uma hospitalidade de primeira. Pude ver uma ilha muito bonita e propícia para uma belíssima pesca debaixo d'água. Nas demais ilhas o surfe é o esporte mais praticado.


Numa das celebrações, fiquei encantado com um coral de jovens. Um detalhe: durante as orações eles usavam flores presas ao cabelo. Informaram-me que esse costume era típico da cultura local. Lembro-me também que o nome de um dos jovens que dirigia o coral era Samseri, cuja tradução aproximada seria: "o brilho da lua", porque ele nasceu numa noite enluarada.

Constatei que as atividades dos missionários demonstravam respeito pelos costumes culturais e um esforço para se adaptar às condições de vida do povo. Creio que os missionários tiveram uma postura um tanto diferente da política vigente do ex-ditador indonésio Suharto, que preferia impor um projeto de desenvolvimento a esses povos a procurar entender e respeitar sua cultura.


Pelo visto, os missionários que atuam em Sikabaluan aprenderam a língua local muito bem. Também tive a sorte de participar da ordenação do primeiro sacerdote diocesano do lugar.

Outra coisa inesquecível foi ter comido o sago (um tipo de farofa feita de frutos de uma 
árvore típica da região) e ter bebido água das chuvas que estavam represadas em reservatórios. Não dispondo de água encanada, bebe-se água das chuvas mesmo. O sago é um dos principais alimentos para os habitantes das ilhas Mentawai e os animais. Sago é a árvore da vida.


Um grupo de leigos aventurou-se a seguir o padre Pio Framarin no meio da floresta ao encontro de algumas comunidades. Num mundo em que, graças a Deus, existe a vontade de respeitar as diferenças, o indígena é visto como o outro que desvela sua face diante de nós. É um outro diferente de nós, mas que exige reconhecimento e respeito. A sua própria existência evoca em todos nós a responsabilidade para com a sua continuidade e a preservação de sua cultura.

Como diz o Evangelho, não se trata somente de procurar o que é melhor para mim mesmo, mas também o que é melhor para os outros. O melhor para todos é que a vida humana seja respeitada onde quer que seja.


terça-feira, 5 de junho de 2012

MISSÃO EM MOÇAMBIQUE: ÁFRICA



Capital: Maputo
Superfície: 799.380 km2 (do tam. do Goiás e Tocantins)
População: 18,6 milhões de habitantes
Línguas: português, línguas regionais
Expectativa de vida: 38 anos
Adultos alfabetizados: 43,8%
Renda per capita: 220 dólares por ano
Religiões: regliões tradicionais 50,4%; cristianismo 38,4%; islamismo 10,5%; outras 0,7%





MISSÃO COM PAIXÃO

Por Pe. João Bortoloci

IMPELIDOS PELO AMOR DE CRISTO

O amor de Cristo nos impeliu a uma realidade nova, uma nova missão: Moçambique. Os missionários xaverianos sonharam; a Igreja em Moçambique desafiou e Deus fez acontecer. Desde o dia 2 de março de 1998, nós, missionários xaverianos, estamos pisando neste chão bendito onde São Francisco Xavier também pisou. Chão de dores e gritos de escravidão (1594-1975); chão de mortes, sangue derramado e dispersão do povo pela guerra civil (1975-1992); chão de sofrimentos pela fome, pobreza, doenças, analfabetismo e pela falta de infra-estruturas básicas de vida; chão marcado pelos destroços da guerra, pelas minas-bombas e pela destruição dos valores humanos e falta de perspectivas de futuro. Porém, é também um chão onde foi lançada a semente da paz e um chão aberto para se lançar a semente do Evangelho, do amor e da justiça. É hora de reconstruir; é hora de sonhar e semear esperança.

IR PARA O OUTRO LADO DO MAR

No outro lado do mar, antes de iniciar a missão, é preciso sentar-se um pouco para conhecer a realidade local, a cultura do povo, línguas, costumes, a caminhada feita pela Igreja etc. Enfim, ter uma base para iniciar o trabalho. Comparo este tempo com a história da águia: ela é a ave que mais vive, podendo chegar aos 70 anos. Porém, para que isto aconteça, quando chega mais ou menos aos 30, ela se retira para a montanha e passa aí um tempo de, mais ou menos, 150 dias. Durante esse período, ela faz três coisas importantes: primeiro, arranca seu velho bico, esfregando-o nas pedras para que nasça um novo. Depois, já com o bico novo, arranca as velhas unhas e também as penas, para que nasçam novas.

 Pe. João Bortoloci em comunidade africana

Durante o tempo do seu processo de renascimento as outras águias trazem-lhe alimento. Assim deve acontecer com os missionários diante da nova missão. Precisamos nos libertar de nossa “linguagem”, de raízes culturais, costumes e de tantas outras coisas de nossa realidade, que impedem nosso renascimento e abertura para o novo que vem do outro. Como a águia, que se transforma para ter mais vida, é alimentada por outras águias, assim o missionário precisa, sobretudo, comer e beber da cultura, da vida do povo onde vai servir. Isto se chama de processo de inculturação. Processo lento, mas fundamental, para o trabalho de evangelização.

“VÃO E ANUNCIEM”

Iniciamos a nossa missão em Moçambique com 4 missionários xaverianos sendo eu um deles. Atualmente são 9 missionários xaverianos atuando em quatro comunidades: Dondo, Chemba, Sena e Charre num vasto território na arquidiocese da  Beira e Tete, onde mais ou menos 10% da população são católicos. Muitas são as necessidades, sobretudo nos campos da educação, da saúde, da reconstrução das estruturas básicas, nas quais colaboramos. Nosso trabalho específico, porém, é a Evangelização.

Algumas  prioridades fundamentais:

  Pe. João Bortoloci em comunidade africana

1 – Primeiro anúncio: Gastamos nossa vida em uma localidade onde poucos, ou quase ninguém, investem. É uma realidade de não-cristãos e de pobreza. Moçambique encontra-se entre os oito países mais pobres do mundo. Somos felizes por estar no meio desta gente e, sobretudo, ao ver que nosso trabalho evangelizador não é em vão: milhares de pessoas, entre adolescentes, jovens e adultos, entraram e continuam entrando no catecumenato, em preparação ao batismo. A catequese é um processo de aprendizagem e de vivência que dura 4 anos.

2 – As novas comunidades: Depois de um acompanhamento no catecumenato, procuramos animar as comunidades já existentes, da mesma forma como somos animados pela fé, acolhida, alegria e pelo compromisso missionário. Muitas são também as comunidades nascentes, algumas até sem a presença de nenhum cristão. Ainda não chegamos em muitas localidades, devido à distância e falta de estradas. Porém, nada é empecilho. Nas comunidades, há o ministério missionário Nyakokota (pescador), com o objetivo de não deixar ninguém sem ouvir a Palavra de Deus. Há também a experiência das comunidades missionárias, que fundam ou acompanham comunidades nascentes. Gostaríamos de frisar que a resistência na fé, vivida e celebrada em meio a tantos sofrimentos, por tantos cristãos moçambicanos, nos tempos de guerra, hoje é semente de novos cristãos e novas comunidades cristãs.

3 – Lideranças: Em Moçambique, a Igreja está estruturada em paróquias ou “Missões”, descentralizadas em comunidades e, em alguns lugares, em núcleos. Os ministérios leigos são uma benção de Deus para as comunidades. O grande desafio é a formação de tantas lideranças. Só no campo da catequese é preciso  “fazer das tripas o coração” para colaborar na formação dos catequistas e dar certo acompanhamento aos catecúmenos. Na missão onde eu trabalhei por 10 anos , quando saí havia mais de 200 catequistas e milhares de catecúmenos. Reunir todos os envolvidos nos vários ministérios era quase impossível. São programados muitos encontros de formação como exigência fundamental para a vida das comunidades.

A IGREJA LOCAL

É uma Igreja pobre, dependente economicamente do exterior e em reconstrução de suas estruturas básicas, pois boa parte delas ainda está nacionalizada. Esteve sempre ao lado do povo, sobretudo nos momentos difíceis da guerra, em que teve significativo papel para a mediação da paz.
É uma Igreja pobre em poder, porém se impõe com voz profética em defesa dos direitos humanos e na conscientização do povo. Apesar da sua pobreza, assumiu gestos bonitos de solidariedade, especialmente durante as catástrofes. É uma Igreja que aposta na educação e que vive um momento florescente de despertar vocacional. Como xaverianos, colaboramos diretamente na formação do clero local.
Vocações xaverianas poderão ser pensadas no futuro. É uma Igreja com mais de 30 etnias,cada uma com a sua língua,  e com a presença de muitas religiões. Só na paróquia Santa Ana na cidade de Dondo onde trabalhei havia a presença de  122 religiões. Enfim, é uma Igreja que começa a se abrir para a dimensão missionária. O Sínodo Africano afirmou: “A Igreja da África não é chamada a testemunhar Jesus Cristo somente no continente africano: a ela também é dirigida a palavra de Cristo Ressuscitado: ‘Sereis minhas testemunhas até os confins da terra’” (At. 1,8 v. 125).

É PRECISO RENASCER

Depois de 10 anos em Moçambique, “RENASCER” se apresenta para mim como um grande desafio.

Por isso, é preciso entrar:

 Pe. João Bortoloci em Igreja africana

– no Ventre da Solidariedade, pois a missão precisa de missionários capazes de compaixão pelo outro, pelos empobrecidos, sendo sinal de esperança e de vida;

– no Ventre da Espiritualidade, pois a missão precisa de missionários comunicadores de Deus, capazes de contemplar o rosto de Cristo no rosto sofrido do povo, testemunhando a presença de um Deus que ama; 

– no Ventre do Diálogo, pois a missão precisa de missionários capazes de viver a comunhão na diversidade de povos, raças, culturas e religiões, testemunhando fraternidade e paz;

– no Ventre da Ousadia, pois a missão precisa de missionários profetas, resistentes, capazes de sonhar que um mundo novo é possível, a partir da própria realidade onde se vive. Que naquele poço há “água viva”;

– no Ventre da Paixão, pois a missão precisa de missionários apaixonados pela causa da Evangelização, capazes de doarem a própria vida, para que todos os povos possam conhecer e viver com prazer o projeto do Reino de Deus.


Vídeo 1 - Relato em Comunidade de Moçambique


Vídeo 2 - Relato em Comunidade de Moçambique



Galeria - Fotos de Moçambique



Ser leigo na Igreja hoje

De um modo geral, as pessoas podem entender (ou achar) que todos aqueles que participam de uma maneira ou outra da Igreja ou de alguma comun...