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sexta-feira, 20 de julho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NOS CAMARÕES - CHADE


REPÚBLICA DOS CAMARÕES


Camarões é um país africano, limitado a oeste e a norte pela Nigéria, a leste pelo Chade e pela República Centro-Africana, a sul pelo Congo, pelo Gabão e por Rio Muni (Guiné Equatorial) e a oeste pelo Golfo da Guiné, através do qual faz fronteira com a Guiné Equatorial, via a ilha de Bioko. A capital é Yaoundé.
Os navegadores portugueses - notadamente Fernão do Pó - chegaram à costa dos Camarões em 1472. Notaram a abundância de camarões (Lepidophthalmus turneranus) nos mangues do rio Wouri e o denominaram Rio dos Camarões, de onde deriva o nome actual do país.



Apesar da chegada dos portugueses à costa dos Camarões no século XV, a malária impediu os europeus de se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao fim da década de 1870, quando grandes quantidades de quinino se tornaram disponíveis. No início, os europeus estavam sobretudo interessados em comerciar, o que faziam na zona costeira, e adquirir escravos. O comércio de escravos foi reprimido a meio do século XIX, ainda na parte final desse século instalaram-se nos Camarões missões cristãs, as quais continuam a desempenhar um papel na vida do país.

No dia 5 de julho de 1884 a totalidade do território camaronês e alguns territórios vizinhos tornaram-se a colónia alemã de Kamerun, com a capital situada primeiramente em Buéa e depois em Yaoundé. Após o final da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido e a França dividiram essa colônia, cabendo à França a maior área, sendo as zonas mais distantes transferidas para o domínio de outras colônias francesas, e governando o restante a partir de Yaoundé.

Os Camarões franceses alcançaram a independência em 1960 sob a denominação de República dos Camarões, no território conhecido como Camarões do Norte e Camarões do Sul. No ano seguinte, a maioria muçulmana do norte, que dominava dois terços dos Camarões britânicos, votou pela adesão à Nigéria, enquanto que no sul a maioria cristã, votou de forma que o outro terço dos Camarões britânicos aderisse à República dos Camarões, formando a República Federal dos Camarões. Permanece no entanto em aberto o conflito da Ambazónia (Camarões do Sul).


MISSÃO XAVERIANA NOS CAMARÕES-CHADE

Adriano Cunha Lima, sx


Queridos irmãos e irmãs é com alegria que partilho com vocês um pouquinho da vida dos xaverianos nestas terras africanas. Fazem somente três anos que estou na capital dos Camarões, Yaoundé, e durante dois meses  tive a grande oportunidade de conhecer o Chade. Assim sendo eu lhes preparo para uma partilha pessoal, resultado das minhas experiências. Um outro teria a liberdade de ver uma ou outra coisa diferentemente.

Às vezes pensamos que África é um país. Ora, a África é um continente como a América. E os Camarões é diferente do Chade como o Brasil é diferente do Paraguai. Neste grande e diverso continente africano os xaverianos estão em 6 países : Congo (RDC), Burundi, Serra Leoa, Moçambique, Camarões et Chade. Se os xaverianos no Brasil dividiram a missão em duas regiões, nós aqui juntamos dois países para formar uma única região : os Camarões e o Chade (aqui diríamos le Cameroun et le Tchad). Falar destes dois países tão diferentes em poucas linhas me parece difícil. Prefiro então, deixar o Chade para uma proxima vez.

Os Camarões tem uma população de 19, 4 milhões e uma superfície de 475 440 Km2 (para imaginar, nós podemos pensar no Estado de Minas Gerais, tanto quanto ao tamanho que quanto à população). Este país conta com 260 grupos étnicos, cada um com sua língua própria. Esta variedade da população acompanha a grande diversidade natural deste país que lhe dá o direito de ser conhecido como a « África em miniatura ». O francês e o inglês são as duas línguas oficiais. No dia 1° de janeiro de 2010 nós celebramos 50 anos de sua independência da França. O presidente atual é Paul Biya, cargo que ele ocupa depois de 1982. A democracia me parece extremamente frágil. Os cristãos formam mais de 50% da população, os mulçumanos 24,8%, o restante esta ligado às religiões tradicionais. A esperança média de vida é de 51, 7 anos.

Os xaverianos chegaram nos Camarões em 1986. Hoje em dia estamos presentes em 6 comunidades em 4 cidades diferentes. Uma paróquia e a comunidade de filosofia em Bafoussam ; uma paróquia e um centro missionário na cidade de Douala (capital econômica do país) ; uma paróquia e um centro cultural em Yagoua (extremo norte do país) ; e uma paróquia e nossa comunidade de teologia na periferia de Yaoundé (capital do país). Todas as nossas missões estão em zonas onde se fala o francês. É aqui em Yaoundé também a sede da revista do Centro de Estudos Africanos (Centre d’Études Africaines) que começa a produzir seus primeiros números.

Nossos trabalhos nestas comunidades são diferentes de acordo com o meio e as orientações das dioceses. Um grande ponto em comum das nossas paróquias é a existência das comunidades eclesiais de base, chamadas aqui de comunidades eclesiais vivantes. Em Douala a animação missionaria começa a dar frutos. O primeiro é a existência de um grupo de amigos dos missionários xaverianos que já caminha bem. Em Yaoundé um outro « GAMIX » parece querer surgir. Desta terra ja partiram missionários xaverianos para o mundo : Colômbia, México, Itália, Filipinas, Burundi, Chade e aqui mesmo nos Camarões. Sem falar que no próximo ano escolar nós teremos representantes dos Camarões nas nossas quatro teologias internacionais. Mesmo querendo deixar o Chade para uma próxima vez é importante dizer que o primeiro xaveriano chadiano estará à partir de outubro deste ano começando o ultimo ano dos estudos de teologia aqui em Yaoundé. Que Deus lhe dê perseverança !

A minha grande alegria em estar aqui foi a possibilidade de conhecer tanta gente boa. É bonito descobrir que temos irmãos tão distantes da gente e que formam uma só família ao lado do Pai. Encontrei um povo ativo na vida da Igreja, que gosta de se formar. Descobri que a África que imaginamos no Brasil não corresponde nem à 10% daquilo que vemos aqui. E aquelas imagens feias que vemos na televisão se contrastam com o sorriso de um povo que gosta da vida. Os jovens são muito disciplinados para os estudos. Existe uma grande variedade na comida e graças à boa acolhida das família eu pude provar uma grande parte. Se de um lado as cores e os tambores nos fazem ver a África tradicional ainda presente, os celulares, gravatas e computadores nos mostram sua proximidade com o mundo globalizado.

Não quero dizer com isso que a vida seja fácil. Este país tem problemas sérios à resolver. Uma grande melhora no sistema de saúde seria necessário. Aqui tudo se paga, resultado… nem todos tem o verdadeiro direito à saúde. As condições de saneamento não são das melhores. Água e eletricidade faltam sempre e são caras… 
Coisas que muitos brasileiros conhecem perfeitamente. Talvez o grande problema é a falta de vontade política que abre um grande espaço para a corrupção que se estende à todos os setores da sociedade. Penso ainda mais nos jovens que, como os nossos do Brasil, procuram intensamente uma vida melhor. Muitos aqui com mestrados e doutorados estão nas filas de emprego.




Estes problemas não são acolhidos como uma fatalidade, mas como desafios que devemos enfrentar. Como resultado do último sínodo sobre a África o papa Bento XVI pediu que a Igreja, aqui presente, seja sinal de reconciliação, de justiça e de paz. No seu documento (África e Munus) o papa diz que a África « é o pulmão espiritual por uma humanidade em crise de fé e de esperança ». 




Estudando a teologia aqui acredito que os cristãos africanos tem muito à dar para nossa Igreja universal. E nossos cristãos do Brasil poderiam partilhar muito mais da nossa fé, também tão viva, com nossos irmãos do outro lado do Oceano Atlântico. Já escrevi bastante, foi só um tira gosto. Fica com vocês um grande e forte abraço dos xaverianos aqui dos Camarões, principalmente dos três brasileiros que aqui estão: Pe Herondi, Rafael e eu.



Adriano Cunha Lima, sx

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MISSÃO XAVERIANA NO MATO GROSSO



“Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só,
mas sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Seixas).

Com o coração agradecido a Deus que abençoa, acompanha e ilumina a missão, gostaríamos partilhar com todos vocês, amigos e familiares, as grandes maravilhas que Deus fez na Paróquia de São Jose em União do Norte, durante a missão que foi realizada em 3 meses, concluindo com uma semana intensa de atividades missionarias. Vamos contar como aconteceu isso.


Um sonho foi construído a partir da assembleia diocesana em Sinop o ano passado, baseado nas diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil 2011-2015, nas quais se coloca a urgência da Igreja de ficar em estado permanente de Missão: “Facilidades geram mais acomodação do que crescimento. Igreja acomodada se torna medíocre, morna, sem gosto. Surpreendemo-nos quando sabemos que alguém trocou de religião e fica dizendo que lá encontrou Jesus. E nos perguntamos: como é isso? Será que Jesus não estava aqui o tempo todo, na Palavra, na Eucaristia, na missão?... Mas fica evidente que mesmo que não tenha faltado a presença de Jesus, algo importante ficou ausente” (Estudos CNBB 97, n. 23).


Tudo isso mexeu com a gente e logo foi dialogado primeiramente com o Pároco Pe. Renato e depois com algumas lideranças da Paróquia, perguntando-lhes se isso poderia dar  certo na Vila, pois tínhamos percebido um pouco de indiferença religiosa e queríamos mexer, incomodar, profetizar que: o impossível torna-se possível quando contamos com a cumplicidade de Deus em nossas vidas, mas sobre tudo para reavivar o zelo missionário do ser cristão.

Contamos com um povo muito querido, porem necessitado de motivação, utopia, e sonhos coletivos onde cada um coloca o seu talento, a sua riqueza o seu amor à Igreja. O primeiro passo foi convocar os leigos e, graças a Deus, encontramos gente que acreditou num jeito novo de ser Igreja, contando com a colaboração de 35 leigos que foram o fermento que provocou a missão na Vila.

O segundo passo foi contatar os Missionários Xaverianos, os quais  responderam positivamente ao convite. Ficamos tão agradecidos a Deus pelo sim desses, pois juntar quatro padres xaverianos, cada um com a responsabilidade de conduzir uma paróquia foi mesmo um milagre! Com disposição e desapego viajaram do Paraná e São Paulo ao Mato Grosso, carregando consigo uma boa dose de loucura pelo Reino.

A Vila foi dividida em 5 áreas, cada uma contaria com a presença de um Padre e uma irmã xaveriana, outra surpresa muito linda foi contar com a presença de uma leiga missionária xaveriana, Ana, que com muita disposição e alegria completou a equipe missionária ficando na área do Pe. Renato, e assim deu-se inicio à semana missionária, após um árduo trabalho de formiguinha no qual visitaram-se as famílias preparando-as e motivando-as para frequentar e fazer experiência pessoal com Jesus Cristo; essas visitas duraram três meses.

Durante a semana missionaria realizaram-se as seguintes atividades: visita e benção das famílias, palestras para os casais com a benção dos mesmos, visita nas escolas da Vila, encontro de jovens e adolescentes, encontro com os homens de cada área, benção e envio das mães, encontro de formação das catequistas e ministros, encontro e benção das crianças, celebração penitencial, benção dos comércios e a reza do terço missionário. Dentro da semana aconteceu a Solenidade do Corpus Christi, assim saímos de cada área em procissão, concluindo com uma lindíssima Celebração Eucarística. Aproveitando o feriado saímos juntos à cachoeira e assim passamos a tarde toda curtindo esse inesquecível momento fraterno no esplendor dessa bela natureza.

A missão tinha também outro lado celebrativo importante, os 50 anos de vida missionária religiosa da Ir. Elisa Priante, a qual com os seus 82 anos ainda está atuante na missão de União do Norte. O fato dela ter cultivado a própria vocação no quotidiano, impactou e serviu de testemunho para as novas e velhas gerações, pois tudo é possível quando acreditamos que Deus está ao nosso lado e com a sua graça os nossos sonhos tornam-se realidade. O pe. Joao Bortoloci, durante a celebração, lembrou uma frase de Dom Helder Câmara para a Ir. Elisa na celebração dos 50 anos é a seguinte: É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca. E como é verdadeiro esse sentir.

Confirmamos ser gente de esperança, capaz de acreditar e gerar Vida aonde a sociedade só enxerga morte, capazes de semear alegria nos lugares aonde a tristeza impera, acreditar que o nosso protagonismo pode construir, pedrinha por pedrinha, a união e a identidade deste amado povo de União do Norte.

Partilhar com vocês essas maravilhas nos fortalece e nos impulsiona a sonhar com os pés no chão; é urgente criar na Paróquia a pastoral da visitação, criar novos grupos de reflexão nas áreas, criar laços afetivos e efetivos para uma nova Evangelização que atinja cada cristão de perto e de longe, preto ou branco, rico ou pobre, etc… enfim, viver a lógica da inclusão, porque o nosso DEUS veio para nos abraçar a todos sem distinção. Esse é o ideal que nos mantém nessa santa tensão.

Não podemos deixar de lado o sentir dos missionários leigos que fizeram acontecer a missão na Vila; eis alguns depoimentos:

“Que pena que o tempo foi muito curto, pois essa semana foi muito marcante, cada família teve o prazer de receber a visita de um Padre na sua casa. Para varias famílias esse fato foi uma grande surpresa. Ficamos muito felizes com os encontros, as missas, palestras e confissões. O que mais me surpreendeu foi a criação do grupo dos homens que se juntaram uma vez por semana para a reza do terço. Tenho certeza que com essa missão iremos fortalecer ainda mais o nosso povo católico” (Luciana da Conceição, Secretaria da Paróquia)

“As missões para mim foram um aprendizado a mais na minha vida, porque, com a graça de Deus e a força da Palavra, hoje posso dizer que tudo é possível, porque vi a presença de Deus em todas as partes, nas dificuldades e nas alegrias. Houve uma bonita experiência de partilha e conhecimentos humanos, onde a gente vive a realidade em palavras, gestos, risos e ação, partilhando a sua vida e a vida de cada família que vive a sua situação e os seus valores, costumes, diferenciados, defendendo a sua crença e lutando pelos seus objetivos, mas sempre prontos para receber a Palavra de Deus. E para nós, leigos e leigas que vivemos essa experiência, é o maior incentivo para podermos continuar essa caminhada” (Selma Maria da Silva, coordenadora da catequese).

“A presença dos quatro missionários Xaverianos foi uma grande benção para a nossa Vila. Durante três meses ficamos visitando as cinco áreas nas quais dividimos a Vila  procurando formar  novos multiplicadores leigos missionários das mesmas áreas. Através desse trabalho se mexeu com o povo. Andamos uma semana de casa em casa, abençoando-os e orando pelos doentes, com encontros que aconteceram na parte da noite. Devemos esta presença e atenção às Irmãs Xaverianas aqui presentes. Quando levei os 4 padres  para Sinop, comentaram da sua felicidade em ter vivido  esses 10 dias entre nós. Foi para nós e para eles uma grande experiência missionária” (Pe. Renato Scheifer, Pároco).

“Olhando minha longa caminhada dos 50 anos de vida missionária, só tenho que agradecer a Deus pela sua infinita Misericórdia, de estar sempre ao meu lado, nos momentos difíceis e nos momentos de alegria, sustentando a minha vocação e a minha fidelidade à missão. Agradeço a Deus e as minhas superioras que, apesar da minha idade, posso estar trabalhando na missão. Peco a Deus a   graça de ser fiel e trabalhar até o fim da minha vida pelo Reino de Deus e pelos irmãos que mais necessitam” (Ir. Elisa Priante, Missionaria de Maria Xaveriana).

"O bairro de Samambaia foi privilegiado por contar com a presença de Pe. Joao Bortoloci. Ele fez muita gente ir na Igreja através das visitas nas casas. Todas as casas que visitamos nos receberam muito bem durante esses 10 dias, embora não deu para visitar todas, porque esse bairro é um dos mais grandes da Vila. Porem daria para formar 4 grupos de reflexão. Foi muito bom aprender aquele jeito lindo que o Pe. João tinha para com o povo. O padre João celebrou varias missas nesses 10 dias, o povo participou muito bem e ficou com saudade desse grande e querido missionário” (Clemencia, coordenadora dos grupos de reflexão).

Felicitas J. Santiesteban, mmx

terça-feira, 5 de junho de 2012

MISSÃO EM MOÇAMBIQUE: ÁFRICA



Capital: Maputo
Superfície: 799.380 km2 (do tam. do Goiás e Tocantins)
População: 18,6 milhões de habitantes
Línguas: português, línguas regionais
Expectativa de vida: 38 anos
Adultos alfabetizados: 43,8%
Renda per capita: 220 dólares por ano
Religiões: regliões tradicionais 50,4%; cristianismo 38,4%; islamismo 10,5%; outras 0,7%





MISSÃO COM PAIXÃO

Por Pe. João Bortoloci

IMPELIDOS PELO AMOR DE CRISTO

O amor de Cristo nos impeliu a uma realidade nova, uma nova missão: Moçambique. Os missionários xaverianos sonharam; a Igreja em Moçambique desafiou e Deus fez acontecer. Desde o dia 2 de março de 1998, nós, missionários xaverianos, estamos pisando neste chão bendito onde São Francisco Xavier também pisou. Chão de dores e gritos de escravidão (1594-1975); chão de mortes, sangue derramado e dispersão do povo pela guerra civil (1975-1992); chão de sofrimentos pela fome, pobreza, doenças, analfabetismo e pela falta de infra-estruturas básicas de vida; chão marcado pelos destroços da guerra, pelas minas-bombas e pela destruição dos valores humanos e falta de perspectivas de futuro. Porém, é também um chão onde foi lançada a semente da paz e um chão aberto para se lançar a semente do Evangelho, do amor e da justiça. É hora de reconstruir; é hora de sonhar e semear esperança.

IR PARA O OUTRO LADO DO MAR

No outro lado do mar, antes de iniciar a missão, é preciso sentar-se um pouco para conhecer a realidade local, a cultura do povo, línguas, costumes, a caminhada feita pela Igreja etc. Enfim, ter uma base para iniciar o trabalho. Comparo este tempo com a história da águia: ela é a ave que mais vive, podendo chegar aos 70 anos. Porém, para que isto aconteça, quando chega mais ou menos aos 30, ela se retira para a montanha e passa aí um tempo de, mais ou menos, 150 dias. Durante esse período, ela faz três coisas importantes: primeiro, arranca seu velho bico, esfregando-o nas pedras para que nasça um novo. Depois, já com o bico novo, arranca as velhas unhas e também as penas, para que nasçam novas.

 Pe. João Bortoloci em comunidade africana

Durante o tempo do seu processo de renascimento as outras águias trazem-lhe alimento. Assim deve acontecer com os missionários diante da nova missão. Precisamos nos libertar de nossa “linguagem”, de raízes culturais, costumes e de tantas outras coisas de nossa realidade, que impedem nosso renascimento e abertura para o novo que vem do outro. Como a águia, que se transforma para ter mais vida, é alimentada por outras águias, assim o missionário precisa, sobretudo, comer e beber da cultura, da vida do povo onde vai servir. Isto se chama de processo de inculturação. Processo lento, mas fundamental, para o trabalho de evangelização.

“VÃO E ANUNCIEM”

Iniciamos a nossa missão em Moçambique com 4 missionários xaverianos sendo eu um deles. Atualmente são 9 missionários xaverianos atuando em quatro comunidades: Dondo, Chemba, Sena e Charre num vasto território na arquidiocese da  Beira e Tete, onde mais ou menos 10% da população são católicos. Muitas são as necessidades, sobretudo nos campos da educação, da saúde, da reconstrução das estruturas básicas, nas quais colaboramos. Nosso trabalho específico, porém, é a Evangelização.

Algumas  prioridades fundamentais:

  Pe. João Bortoloci em comunidade africana

1 – Primeiro anúncio: Gastamos nossa vida em uma localidade onde poucos, ou quase ninguém, investem. É uma realidade de não-cristãos e de pobreza. Moçambique encontra-se entre os oito países mais pobres do mundo. Somos felizes por estar no meio desta gente e, sobretudo, ao ver que nosso trabalho evangelizador não é em vão: milhares de pessoas, entre adolescentes, jovens e adultos, entraram e continuam entrando no catecumenato, em preparação ao batismo. A catequese é um processo de aprendizagem e de vivência que dura 4 anos.

2 – As novas comunidades: Depois de um acompanhamento no catecumenato, procuramos animar as comunidades já existentes, da mesma forma como somos animados pela fé, acolhida, alegria e pelo compromisso missionário. Muitas são também as comunidades nascentes, algumas até sem a presença de nenhum cristão. Ainda não chegamos em muitas localidades, devido à distância e falta de estradas. Porém, nada é empecilho. Nas comunidades, há o ministério missionário Nyakokota (pescador), com o objetivo de não deixar ninguém sem ouvir a Palavra de Deus. Há também a experiência das comunidades missionárias, que fundam ou acompanham comunidades nascentes. Gostaríamos de frisar que a resistência na fé, vivida e celebrada em meio a tantos sofrimentos, por tantos cristãos moçambicanos, nos tempos de guerra, hoje é semente de novos cristãos e novas comunidades cristãs.

3 – Lideranças: Em Moçambique, a Igreja está estruturada em paróquias ou “Missões”, descentralizadas em comunidades e, em alguns lugares, em núcleos. Os ministérios leigos são uma benção de Deus para as comunidades. O grande desafio é a formação de tantas lideranças. Só no campo da catequese é preciso  “fazer das tripas o coração” para colaborar na formação dos catequistas e dar certo acompanhamento aos catecúmenos. Na missão onde eu trabalhei por 10 anos , quando saí havia mais de 200 catequistas e milhares de catecúmenos. Reunir todos os envolvidos nos vários ministérios era quase impossível. São programados muitos encontros de formação como exigência fundamental para a vida das comunidades.

A IGREJA LOCAL

É uma Igreja pobre, dependente economicamente do exterior e em reconstrução de suas estruturas básicas, pois boa parte delas ainda está nacionalizada. Esteve sempre ao lado do povo, sobretudo nos momentos difíceis da guerra, em que teve significativo papel para a mediação da paz.
É uma Igreja pobre em poder, porém se impõe com voz profética em defesa dos direitos humanos e na conscientização do povo. Apesar da sua pobreza, assumiu gestos bonitos de solidariedade, especialmente durante as catástrofes. É uma Igreja que aposta na educação e que vive um momento florescente de despertar vocacional. Como xaverianos, colaboramos diretamente na formação do clero local.
Vocações xaverianas poderão ser pensadas no futuro. É uma Igreja com mais de 30 etnias,cada uma com a sua língua,  e com a presença de muitas religiões. Só na paróquia Santa Ana na cidade de Dondo onde trabalhei havia a presença de  122 religiões. Enfim, é uma Igreja que começa a se abrir para a dimensão missionária. O Sínodo Africano afirmou: “A Igreja da África não é chamada a testemunhar Jesus Cristo somente no continente africano: a ela também é dirigida a palavra de Cristo Ressuscitado: ‘Sereis minhas testemunhas até os confins da terra’” (At. 1,8 v. 125).

É PRECISO RENASCER

Depois de 10 anos em Moçambique, “RENASCER” se apresenta para mim como um grande desafio.

Por isso, é preciso entrar:

 Pe. João Bortoloci em Igreja africana

– no Ventre da Solidariedade, pois a missão precisa de missionários capazes de compaixão pelo outro, pelos empobrecidos, sendo sinal de esperança e de vida;

– no Ventre da Espiritualidade, pois a missão precisa de missionários comunicadores de Deus, capazes de contemplar o rosto de Cristo no rosto sofrido do povo, testemunhando a presença de um Deus que ama; 

– no Ventre do Diálogo, pois a missão precisa de missionários capazes de viver a comunhão na diversidade de povos, raças, culturas e religiões, testemunhando fraternidade e paz;

– no Ventre da Ousadia, pois a missão precisa de missionários profetas, resistentes, capazes de sonhar que um mundo novo é possível, a partir da própria realidade onde se vive. Que naquele poço há “água viva”;

– no Ventre da Paixão, pois a missão precisa de missionários apaixonados pela causa da Evangelização, capazes de doarem a própria vida, para que todos os povos possam conhecer e viver com prazer o projeto do Reino de Deus.


Vídeo 1 - Relato em Comunidade de Moçambique


Vídeo 2 - Relato em Comunidade de Moçambique



Galeria - Fotos de Moçambique



quarta-feira, 2 de maio de 2012

MISSÃO XAVERIANA NAS FILIPINAS

Por Pe. Everaldo dos Santos, sx

Com uma área terrestre total de cerca de 300 mil km² formando um belo arquipélago de 7.107 ilhas divididas em três grupos: Luzon, ao norte, Visayas, no centro e Mindanao, no Sul. Sua capital é a grande Manila que deve contar com uma população de aproximadamente 15 millhões.


O clima é quente, húmido e tropical. A temperatura média anual é em torno de 27 °C. Os filipinos costumam falar de três estações: o Tag-init (a estação quente, ou verão, que dura de Março a Maio), o Tag-ulan (a estação chuvosa entre Junho e Novembro) e o Tag-lamig (a estação fria, de Dezembro a Fevereiro).


A maior parte das acidentadas ilhas estava originalmente coberta por florestas húmidas. A origem das ilhas é vulcânica. O ponto mais elevado é o monte Apo em Mindanao, com 2954 m. Muitos dos vulcões do país, como o Pinatubo e também o Mayon, estão ativos. O país está também integrado na região de tufões do Pacífico ocidental e é atingido por uma média de 19 tufões por ano.

Grande parte das ilhas encontra-se numa placa tectónica encravada entre as placas Euroasiática e do Pacífico - a Placa das Filipinas.

Religião - As Filipinas são um dos dois países da Ásia de predominância cristã, sendo o outro Timor-Leste (ambos de maioria católica): mais de 90% da população é cristã. Cerca de 80% são fiéis da Igreja Católica Romana, enquanto os 10% restantes aderem a outras denominações cristãs, como a Igreja Filipina Independente, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Igreja Unida de Cristo e da Igreja Ortodoxa. A divisão eclesiástica do país compreende 89 dioceses e arquidioceses.

Aproximadamente 10% da população são muçulmanos, a maioria dos quais vive em Mindanao, Palawan e do arquipélago de Sulu, uma área conhecida como Bangsamoro ou da região Moro. Alguns migraram para zonas urbanas e rurais em diferentes partes do país. A maioria dos muçulmanos filipinos pratica uma forma de islamismo sunita, enquanto outros grupos tribais, como o Bajau, pratica uma forma mista de islamismo com animismo.

Economia - Filipinas faz parte do tratado internacional chamado APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.

É considerado um país em desenvolvimento. Seu PIB ocupa o 118º lugar entre 178 países. Uma das principais atividades econômicas é a industrialização de alimentos. A indústria pesqueira é bastante forte. Sua produção agrícola consiste principalmente de arroz, milho, coco, cana-de-açúcar e tabaco. Possuí também quantidades razoáveis de minérios de cromo, cobre, ouro, ferro, chumbo, manganês e prata.

A economia do país sofreu com a crise asiática de 1998. O crescimento anual caiu de 5% em 1997 para 0,6% no ano seguinte, porém recuperou-se em 1999 com 3%, passando para 4% em 2000 e mais de 6% em 2004. O governo prometeu prosseguir com reformas que auxiliassem na continuidade do ritmo de crescimento em relação aos demais países da Ásia. A elevada dívida pública (equivalente a 77% do PIB) mina os esforços de diversificação da economia. Já no campo da política, o governo atual tem embarcado numa luta acirrada contra a corrupção, mas como esta está impregnada em todas as extratas da sociedade, dá-se a impressão que quanto mais se limpa, mais sujeira aparece.

Xaverianos - A presença xaveriana nas Filipinas é limitada à região da Grande-Manila, com quatro comunidades, uma localizadas na diocese de Cubao (comunidade do pré-noviciado e filosofia) duas na diocese de Novaliches (comunidade da Paróquia São Francisco Xavier e a comunidade internacional de teologia) e uma na diocese de Antipolo (paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.) Antipolo existe como diocese desde 1983 e as outras duas dioceses foram recentemente desmembradas da diocese de Manila: a diocese de Novaliches em dezembro de 2002 e a diocese de Cubao em junho de 2003.

Membros da Comunidade de Teologia atravessando o mar

Duas de nossas comunidades são especificamente comunidades de formação, o teologado e o pré-noviciado; as outras são comunidades pastorais; mas na realidade todas as comunidades estão vinculadas à formação. 

Reunião comunitária

De fato, a formação tem sido a razão principal da abertura da delegação das Filipinas, que é a viabilização da existência da teologia internacional da Ásia. Ao mesmo tempo em que nós começamos nossa presença nas Filipinas, o então bispo de Manila, Cardeal Sin, confiou-nos a Paróquia de São Francisco Xavier, que agora pertence a diocese de Novaliches.

Uma segunda etapa da Delegação foi a abertura às vocações locais: em junho de 1996, nós acolhemos o primeiro grupo de quatro aspirantes filipinos! A partir de então a caminhada com om os vacacionados locais tem sido cheia de altos e baixos. No momento temos já um padre filipino que trabalha na Serra Leoa, um estudante que já concluíu o curso de teologia e está fazendo o estágio em missão também na Serra Leoa e temos um grupinho de 6 estudando filosofia.

Juntamente ao trabalho de formação com os candidatos locais há também o trabalho de animação missionária e vocacional.

Jovens da nossa Paróquia São Francisco Xavier

Estes são os objetivos principais da Delegação: formação no teologado internacional e formação de candidatos filipinos à vida religiosa missionária xaveriana, nos estágios de pré-noviciado e noviciado; e animação missionária e vocacional. A atividade pastoral encontra seu espaço neste contexto de formação, mesmo que as paróquias exijam tempo integral dos confrades que lá trabalham.

Na comunida de teologia, além de preparar nossos jovens confrades para o trabalho ministerial na igreja, atenção especial tem sido dada à formação para o diálogo inter-religioso, especialmente com o Budismo e Islamismo, religiões que predominam na maioria dos países em que estamos presente como Xaverianos.

Plantação de arroz com Vulcão Mayon no fundo

Esperamos que num futuro breve o nosso carisma possa ser abraçado e vivido trambém pelos leigos.

MISSÃO XAVERIANA NA REPÚBLICA DO BURUNDI

 Capital: Bujumbura
Superfície: 27.834 km2 (do tamanho de Alagoas)
População: 6,5 milhões de habitantes
Línguas: francês e quirundi (oficiais), suaíle
Expectativa de vida: 44 anos
Adultos alfabetizados: 48,1%
Renda per capita: 140 dólares por ano
Religiões: cristianismo 78,9%; islamismo 1,6%; religiões tradicionais 0,3%; sem filiação 18,6%; outras 0,6%





O Burundi é uma terra ensopada de sangue. Desde o século 15 vive um conflito étnico, político e econômico entre os povos hutu e tutsi. Os primeiros são agricultores, descendentes dos bantu. Os segundos são guerreiros do norte, tradicionalmente criadores de gado. Os tutsi ocuparam essas terras dominando os hutu. Houve vários genocídios, que causaram milhares de vítimas, tanto de uma como de outra etnia. Mais tarde, o colonialismo das potências européias sempre apoiou o domínio dos tutsi, acirrando ainda mais o confronto, depauperando de vez a nação. E mesmo com a independência em 1962, o Burundi continuou sendo o palco de violentos combates com centenas de milhares de mortos e refugiados. Com altas taxas de densidade demográfica, o país detém hoje o terceiro menor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo. 

























A extrema pobreza levou, em 1993, a uma das piores matanças étnicas jamais acontecidas, quando os militares tutsi assassinaram o primeiro presidente eleitodemocraticamente, o hutu Melchior Ndadaye. A revolta popular da etnia hutu, que constitui 85% da população do Burundi, deu origem a uma guerra civil que dura até hoje, na qual morreram mais de 300 mil pessoas, com mais de um milhão de refugiados. Desde 1960, os xaverianos trabalham no Burundi, distinguindo-se pela atividade apostólica desenvolvida em equipes formadas por missionários, religiosas e leigos, na organização de obras sociais e na constante busca de uma pastoral inserida na cultura local. O trabalho pastoral, exercido também nas colinas (antes atuava-se apenas nos centros das missões), os freqüentes contatos pessoais, as organizações cristãs em todos os níveis sociais, as inúmeras obras de assistência aos necessitados, tiveram como fruto um crescimento surpreendente das comunidades cristãs.

Todavia, com o golpe de Estado de 1976, a Igreja católica começou a sofrer perseguição por parte do Estado:

- culto e celebrações controlados, senão interditados, e muitos missionários foram expulsos do país. Somente no final dos anos 80, puderam retornar e reiniciar a atividade de evangelização. Na capital Bujumbura, os xaverianos abriram um centro de formação para jovens, para participar, junto a toda igreja do Burundi, de uma paciente tarefa de reconciliação entre os povos tutsi e hutu. Essa reconciliação custou caro. O sangue derramado pelos nossos três missionários está a testemunhar este fato. Eles sabiam de massacres, chacinas e desmandos por parte dos militares tutsi, protegidos por um regime de impunidade e terror. Sentiam que não podiam calar. Denunciaram os culpados através de relatórios minuciosos. Nunca foram perdoados por isso.

Durante meses, os militares tramaram a vingança, até que essa foi consumada em setembro de 1995. Poucos dias antes da chacina, uma mulher teria avisado pe. Ottorino que alguns notáveis da região tinham pago os militares para matá-los. Mas o padre respondeu tranqüilamente que eles tinham decidido ficar com o povo a qualquer custo. “Os nomes dos nossos três mártires – comenta Pe. Modesto Todeschi, missionário no Burundi há 40 anos – estão na multidão dos mártires inocentes, mais de 300.000 só em Burundi nestes dez anos de guerra. Nós, missionários, somos parte desta história, desta Igreja, deste país e desta tragédia. Os nossos três irmãos são também irmãos do povo do Burundi e deram o próprio sangue por causa do evangelho da caridade”.




Os túmulos dos missionários

A chacina de Buyengero mistura-se com o trágico cenário da guerra nesse país. A paz demorou a vingar. Desde o assassinato dos três missionários, houve um novo golpe de estado, os massacres continuaram, vários outros missionários, presbíteros e cristãos foram mortos por denunciarem os fatos, frutos do ódio étnico exacerbado pela situação social. Em dezembro de 2003, até o núncio apostólico dom Michael Aidan Courtney, representante do papa no Burundi, perdeu a vida num atentado considerado muito “estranho”. O círculo da violência parecia mesmo não ter fim. Contudo, a esperança sempre abre brechas na história. O sangue dos mártires é semente de futuro, mesmo se esse futuro é como uma floresta silenciosa que cresce, apesar do tombo barulhento das árvores decepadas.

Em agosto de 2000, os acordos de paz de Arusha, na Tanzânia, abriram o caminho para a reconstituição democrática do Burundi e o fim da guerra. O parto foi sofrido, os prazos dos acordos sempre adiados, ainda novos casos de massacres causaram medo e insegurança. Enfim, em fevereiro de 2005, o plebiscito. O povo adere em massa e vota a nova Constituição com 91% das preferências. Os refugiados começam a voltar ao país. No dia 19 de agosto, é eleito o novo presidente Pierre Nkurunziza, ex-guerrilheiro de etnia hutu. O povo, vencido pelo cansaço da guerra e desiludido por inúmeras promessas, se não estiver muito a fim de pular de alegria, pelo menos respira tímidos ares de paz, vontade de retomar a vida, erguer a cabeça e olhar para frente.

FRUTOS DO SUOR E SANGUE DERRAMADOS

Essas conquistas são frutos de muita paixão, de muito suor e de muito sangue derramado. Para os missionários, a solidariedade com os povos vítimas do ódio e da violência é uma exigência do Evangelho. “Vivemos concretamente, dia após dia, uma comunhão de vida e de destino com os irmãos a quem somos enviados: aliviar os sofrimentos, procurar e distribuir ajuda, infundir esperança, anunciar que ainda é possível a reconciliação, o perdão, a convivência. Tudo isso faz parte da nossa vocação missionária”. O amor a Cristo e aos irmãos motivou suas opções que os qualifica como mártires. Entre o povo de Buyengero e esses missionários existia uma sintonia fora do comum.

Foram escolhidos pelos seus assassinos não porque eram inimigos, mas porque eram gente pacífica, construtores de novas relações, amigos da paz. Foram executados por serem membros de um grupo que defendia os mais perseguidos, testemunhas incômodas das injustiças praticadas insistentemente. No dia do enterro, os xaverianos não tiveram nenhuma hesitação. Seus irmãos mortos queriam ficar no Burundi até o fim, e ali foram sepultados: no lugar da chacina. Nos túmulos, uma escrita: “Bem aventurados os construtores da paz”. Uma provocação e uma promessa: perdão e paz, com efeito, são a herança e a semente que eles deixaram.

FONTE: Revista MISSÕES

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